segunda-feira, 27 de junho de 2011

Musicoterapia na Alemanha

Musicoterapia na Alemanha

Pesquisas, pesquisas, pesquisas... e a luta pela regulamentação.
Esses dois tópicos que se interligam, resumem o panorama geral da Musicoterapia na Alemanha. Essa é uma discussão inflamada que atualmente movimenta o meio acadêmico por aqui.
O que o musicoterapeuta alemão faz pela regulamentação da profissão? Pesquisas.
O Centro Alemão de Pesquisas em Musicoterapia (Instituto Dr. Viktor Dulger) da Universidade Estadual de Heidelberg tem como objetivo fundamentar a prática musicoterapêutica, principalmente no campo da medicina. Através de uma sofisticada aparelhagem acústico-sonoro musicoterapeutas desenvolvem, atualmente, pesquisas qualitativas e quantitativas em Neurologia, Cardiologia, Oncologia e Dor Crônica. Os resultados comprovado em Neurologia (pacientes com Parkinson, AVC e Tinnitus) ganharam, em 2006, o Premio Acadêmico Estadual "Inovação e embasamento".
A mais nova (e já, por muitos, queridinha) linha de pesquisa "Musicalische Emotionserkennung” (Reconhecimento da emoção através da música), orienta-se no estudo comparativo de parâmetros musicais entre aspectos e interfaces culturais. Brasil, Corea do Sul, Indonésia e Alemanha serão os primeiros a serem "comparados".
A Clínica musicoterapêutica alemã, em geral, baseia-se no modelo Nordoff-Robins de musicoterapia músico-centrada. Aqui, no Sul da Alemanha, desponta desde 2005 o modelo heidelberguiano de musicoterapia, alicerçado por resultados comprovados de pesquisa nos campos psicológicos e médicos.
Embora haja atendimento musicoterapeutico em consultórios particulares, em diversas instituições privadas e até em algumas públicas, trata-se apenas de sua legitimização. Vejam assim: a Musicoterapia é uma profissão legitimada, mas não regulamentada. Tendo como problema central a dificuldade em conseguir conveniar-se a Seguro de Saúde. Aqui na Alemanha, como no Brasil.
Além dos conhecimentos necessários para ingressar numa Universidade, aqui na Alemanha para cursar Musicoterapia, tem-se como pré-requisito o conhecimento musical. No mestrado o conhecimento musical é também de fundamental importância, mas não pré-requisito. Explico: O mestrado em musicoterapia é dividido em dois grupos, o "nicht-konsekutivmasterstudiengang" e o "Konsekutivmarterstudiengang". Esse segundo é destinado só e exclusivamente a musicoterapeutas graduados, portanto essencialmente músicos, sendo o "nicht-konsekutiv" aberto para profissionais de áreas afins.
Aqui na Alemanha temos Faculdades de Musicoterapia nos quatro pontos cardeais, sendo o ponto central e mais divulgado a Universidade de Heidelberg no Sul da Alemanha, onde faço atualmente o meu mestrado.
A Faculdade de Musicoterapia da Universidade de Heidelberg oferece um Serviço de Musicoterapia à Comunidade, que funciona como centro de pesquisa clínica.
A Sociedade Alemã de Musicoterapia tem sido de fundamental importância na luta pelo reconhecimento e regulamentação da profissão. Composta por profissionais sérios e estudantes apaixonados, ganha cada dia mais credibilidade no meio Acadêmico alemão e europeu.
Aqui na Alemanha, como no Brasil, na graduação, cursa-se 8 semestres e parece-me que no resto do mundo também. Muitos fazem cursos de especialização, pós-graduação, doutorado... Apesar desta formação acadêmica, não temos uma profissão regulamentada globalmente. Fazer o que...? Pesquisar e lutar.
Irene Madureira
Correspondente Internacional

Irene Madureira é musicoterapaeuta graduada na Bahia, cursando o mestrado em Musicoterapia.


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