sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tocar sem Tocar: o Theremin-MIDI e suas possibilidades na musicoterapia.

O Theremin, inventado pelo russo Lev Sergeyevich Termen, em 1919, é considerado um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos. Foi lançado na Europa, mas foi nos Estados Unidos, nos anos 20 e 30 que o Theremin teve seu período glamoroso, culminando em apresentações no Carnegie Hall. Neste mesmo período, o Theremin ganhou espaço no cinema, na produção de efeitos especiais em filmes de ficção científica, com destaque para a obra de Robert Wise, "O dia em que a Terra parou", dentre outros. Mais tarde, nos anos 60 e 70, o Theremin reaparece no Rock'N'Roll, inclusive no Brasil, em performances do grupo "Os Mutantes". Na atualidade, o Theremin é encontrado na música experimental. O grupo mineiro Pato Fu, inclui performances de Theremin na música "Eu"; no vídeo-clip do mesmo tema, a introdução, faz apologia a Lev Termen.
O Theremin é um instrumento musical que se toca sem que seja necessário tocá-lo fisicamente. É constituído por um gabinete onde embarca circuitos eletrônicos; sobre o gabinete, são conectadas duas antenas: uma circular e outra telescópica. A antena telescópica emana um campo eletromagnético que quando alterado com a aproximação das mãos ou qualquer parte do corpo, gera uma sonoridade, proporcional e linear ao gesto realizado.
O Theremin é originalmente mono-timbral e com o uso da tecnologia digital, podemos estender ainda mais suas facilidades tornando-o multi-timbral. Na área da execução, podemos ajustar a resolução do campo de toque, ou seja, gerar mais ou menos notas musicais com base em um mesmo deslocamento gestual; adicionalmente, programar escalas, tais como: cromática, diatônica, pentatônica, e outras, de tal forma que, um mesmo gesto produza distintas evoluções, dependendo da escala previamente especificada.
A interface não-tátil e aérea do Theremin proporciona, potencialmente, possibilidades para a implementação de técnicas musicoterapêuticas onde as adaptações e órteses não dão conta. Por conseguinte, valoriza o gesto; seja o gesto simples, meio pelo qual o ser humano se expressa usando seu corpo; gesto musical, movimentos corporais (físicos ou mentais) relacionados com a música (Wikipedia). Em alguns escritos, a musicoterapeuta Leomara Craveiro de Sá menciona: "gesto como produção de interação", "gesto como produção de comunicação" e "gesto como índice".
A atuação da pesquisa científica em tecnologia musical para explorar novos caminhos e possibilidades, têm sido significativa como podemos constatar em: NIME (International Conference on "New Interfaces for Musical Expression"); International Conference on "Music Technology: Solutions to Challenges"; a "Da Vince Awards", inovações em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia assistiva, premiou recentemente (2010) uma solução baseada em computador, software e conceitos de realidade aumentada, denominada "VMI" (Virtual Music Instrument) que permite acionar sons e música por meio de gestos. Encontramos empresas que desenvolvem dispositivos baseados em tecnologia musical, com destaque para a MIDIcreator e Soundbeam, ambas inglesas.
O Theremin propõe questões epistemológicas desafiantes, pois coloca em "check" padrões convencionais, como, a relação do timbre com a fonte sonora. No Theremin MIDI, por exemplo, é possível, com o gesto, acionar notas de piano. A perspectiva analisada propõe o deslocamento da tatilidade para um campo mais subjetivo. O aspecto timbral é afetado, pois ocorre também o deslocamento da dependência com a fonte sonora. Abre-se aí, um campo para o gestual imaginativo, não tangível e invisível. O deslocamento da tatilidade para a subjetividade, proporciona um aumento nas possibilidades procedurais e pode enriquecer as abordagens musicoterapêuticas. Além de constatar um novo tipo de "fazer musical", demanda a necessidade de geração de novos parâmetros para balizar modelos de habilidade musical de pacientes.
Palavras-Chave: Musicoterapia, Theremin, MIDI, Gestualidade, Tatilidade, Música Adaptativa, Tecnologia Musical, Tecnologia Assistiva, Acessibilidade.
Autor: Paulo Roberto Suzuki. Especialista em Musicoterapia pelo Centro Universitário FMU (2008), cursou Musicoterapia na Faculdade Paulista de Artes (2001-2006); graduado em Computação pela Universidade Mackenzie. Sócio-Diretor da EMIND Atividades Integrativas Ltda. Mais de 25 anos no ensino superior como professor, coordenador de cursos e departamentos; consultor em tecnologia da informação; músico multi-instrumentista; facilitador de rodas de tambores (HealthRhythms e Village Music Circles). APEMESP#296, voluntário da SWPS, Seattle World Percussion Society, criador do movimento "Roda de Tambores Brasil".

Roda de Tambores na Musicoterapia.

Roda de Tambores (RT) é uma prática em grupo, onde pessoas, sem distinção de raça, credo, ou classe social, tocam tambores e outros instrumentos musicais de percussão, com o propósito comum de fazer música juntos, momentânea e espontaneamente; não é exigido dos participantes qualquer conhecimento musical prévio, tampouco saber tocar instrumentos musicais.
Arthur Hull em "Drum Circle Spirit - Facilitating Human Potential Through Rhythm" (1988), diz que "uma roda de tambores é um grupo integralmente participativo compartilhando experiências rítmicas e musicais; essas experiências resultam em harmonia, camaradagem e sentimentos de bem estar entre os participantes". RT não é prática de conjunto; não há ensaios; o objetivo não é a performance por isso, não existe platéia - todos participam. Christine Stevens, musicoterapeuta e facilitadora de RT, em "The Art and Heart of Drum Circles" (2003), classifica esta prática como sendo uma forma de RMM (Recreational Music Making) - podendo ser entendida como uma forma de aprendizagem musical não estruturada que ocorre em ambientes não-estressantes. Neste caso, o termo "recreação", provém do latim "recreatio", que por sua vez, deriva do vocábulo "recreare", cujo sentido é de: reproduzir, restabelecer ou recuperar; e no caso das RTs, está no contexto de: restabelecer as energias, a saúde, a motivação.
Friedman em "The Healing Power of the Drum" (2000) relata diversos casos que reforçam os benefícios terapêuticos e clínicos da roda de tambores e batuque em patologias, síndromes e distúrbios, tais como: alzheimer, câncer, esclerose múltipla, mal de Parkinson, problemas da fala, AVC, reabilitação psiquiátrica, alívio do estresse, déficit de atenção, síndrome de Down, síndrome de Williams, dentre outros. Na área social, as RTs se fazem presentes em programas que atendem: adolescentes em situação de risco, prisioneiros e detentos, aposentados, veteranos de guerra e outros.
O neurologista Barry Bittman (e outros), em "Composite Effects of Group Drumming Music Therapy" (2001), verificou alterações em nível biológico proporcionadas pelo uso terapêutico de RT, em procotolo específico, resultando em melhoria de índices imunológicos, uma vez observados: aumento das taxas de "dehydroepiandrosterone-to-cortisol"; aumento da atividade das células NK e aumento de atividade das células exterminadoras linfócito-ativadas.
A RT é apoiada por um "facilitador de rodas de tambores" que conhece as técnicas de facilitação ("cues") e com isso, ajuda e incentiva os participantes. As técnicas e procedimentos de RT constituem um sistema bem definido, incluindo: protocolos, comunicação com ênfase em linguagem corporal, repertório padronizado de sinais, uso de instrumentos musicais de percussão diferenciado e lúdico, dentre outros.
A RT, como um sistema, por meio de suas técnicas e procedimentos, não deve ser confundida como sendo prática musicoterapêutica; contudo, quando apropriada adequadamente por um musicoterapeuta, pode se tornar uma ferramenta útil. Há muito que se discernir nesse sistema: a formação circular com os instrumentos musicais no centro nos remete ao "setting" fogueira de Benenzon; as diversas manobras de facilitação nos fazem parear com algumas das 64 técnicas de improvisação de Bruscia, dentre outros. Como não bastasse, o uso do tambor e formação circular no trabalho de grupo, nos remete a todo um "primitivo", ancestral e tribal - cenários de interesse da musicoterapia.
Palavras-chave: Roda de Tambores, Círculo de Tambores, Drum Circle, Ritmo, Musicoterapia.
Autor: Paulo Roberto Suzuki. Especialista em Musicoterapia pelo Centro Universitário FMU (2008), cursou Musicoterapia na Faculdade Paulista de Artes (2001-2006); graduado em Computação pela Universidade Mackenzie. Sócio-Diretor da EMIND Atividades Integrativas Ltda. Mais de 25 anos no ensino superior como professor, coordenador de cursos e departamentos; consultor em tecnologia da informação; músico multi-instrumentista; facilitador de rodas de tambores (HealthRhythms e Village Music Circles). APEMESP#296, voluntário da SWPS, Seattle World Percussion Society, criador do movimento "Roda de Tambores Brasil".

Cores, Sons, Self: uma proposta arteterapêutica para o "Projeto Incluir" da Associação Baiana de Pessoas com Deficiência.

A arteterapia pode beneficiar imensamente a criança, adolescente ou adulto com deficiência, contribuindo para sua adaptação à sociedade, já que os processos artísticos podem melhorar a sensação de bem-estar emocional do indivíduo, desenvolver habilidades cognitivas e facilitar as interações sociais. Além disso, o processo arteterapêutico e o conteúdo artístico dele resultante podem revelar problemas de foco de atenção, controle motor, memória, controle das emoções, organização, sequenciamento de idéias e capacidade de tomar decisões. Apesar de suas deficiências muitas vezes não lhes permitirem uma reflexão sobre as experiências e as produções realizadas nas sessões de arteterapia, não os impedem de, a partir delas, descobrir novas maneiras de viver, possibilitadas pelas atividades lúdicas propostas e pela catarse delas resultante. Este artigo apresenta uma intervenção em arteterapia realizada no "Projeto Incluir" da Associação Baiana de Pessoas com Deficiência, no primeiro semestre de 2010, como estágio para uma Especialização em Arteterapia no Instituto Junguiano da Bahia, sob supervisão da psicóloga e arteterapeuta Carla Maciel. O estágio foi realizado com quatro grupos de pessoas com deficiência no período compreendido entre março e junho de 2010, em encontros semanais de setenta e cinco minutos. Os grupos atendiam a crianças e adultos cujas idades variavam entre 3 e 52 anos, com diagnósticos variados (retardo, autismo, paralisia cerebral, problemas neurológicos, esquizofrenia, síndrome de Down e epilepsia). O objetivo principal da proposta foi incentivar a capacidade de autodeterminação do indivíduo com deficiência por meio da estimulação física, social e sensorial. Para isso, foram utilizadas atividades de desenho, colagem, pintura, expressão corporal e música, a depender do objetivo da sessão. O referencial teórico fundamentou-se em Jung, Philippini, Urrutigaray e Malchiodi. Técnicas terapêuticas em música, apesar de terem sido utilizadas em todos os grupos, foram prioritárias no grupo com idade entre 3-6 anos, constituído por crianças portadoras de síndrome do espectro autista. Essas crianças revelaram prontidão para as atividades com música e movimento, fato comum entre os autistas. O artigo delineia o estágio e foca especificamente nas intervenções com a utilização de música, fundamentadas em Bruscia, Cypret, Hurt-Thaut, Phipps e Watson.
Palavras-chave: arteterapia; pessoas com deficiência; técnicas terapêuticas em música.
Autora: Diana Santiago. Doutorado em Música (2002, UFBA); Mestrado em Música (1988, Eastman School of Music, EUA); Graduação em Instrumento (1984, UFBA). Professor Adjunto IV/ UFBA. Pesquisador do CNPq. Tesoureira da ANPPOM (1991-1995); Segundo-Secretário da ABEM (1993-1995); Vice-Presidente da Associação Brasileira de Cognição e Artes Musicais (2006-2010).

Morte e espiritualidade na velhice.

O presente trabalho visa relacionar, através de estudos teóricos, os conceitos de morte e espiritualidade na velhice e, a partir destas relações, apresentar propostas musicoterapêuticas no âmbito intra e interpessoal. A pesquisa realizada é de natureza bibliográfica na qual as fontes de estudo são textos relacionados com a teoria do desenvolvimento de Erik Erikson (1902-1994) e as recentes pesquisas e estudos no campo da tanatologia (CASSORLA, 1998, KÜBLER-ROSS, 2005) e musicoterapia (BARCELLOS, SOUZA, ZANINI). Em sua teoria do desenvolvimento, Erikson (1982) fala das crises vivenciadas ao longo o ciclo vital, e cita o medo da morte como a última crise vivenciada pelo ser humano. Nesse contexto, o sujeito idoso - que vivencia a finitude - enfrenta seu último conflito: integridade versus desespero. Segundo o autor, quando o sujeito sente-se realizado com a vida que construiu, elabora a própria existência positivamente e experimenta a sensação de dever cumprido. Por outro lado, a pessoa pode refletir sobre a vida e fazer um balanço negativo, sente-se desesperançada e elabora a morte como aterrorizante (BRAGA, 2010). A morte iminente traz sensação de que nada mais pode ser realizado, e a pessoa mergulha em melancolia e tristeza por sua velhice (RABELO, 2008). Silva (2007) vê na espiritualidade o caminho possível para a aceitação e a conscientização das limitações, mas também dos potenciais. Assim, o indivíduo que vivencia a espiritualidade é capaz de enxergar além de si, percebe-se na "família humana", ou seja, conscientiza-se de que o existir transcende a matéria (corpo) e a linha do tempo, a qual delimita o nascimento e a morte (SILVA, 2007). Ao utilizar-se dos atributos polissêmicos da música, a musicoterapia promove a abertura de novos caminhos, ampliando os horizontes expressivos do paciente permitindo-o atingir assim, um novo patamar de integridade, integração e inteireza. (BARCELLOS 1996). A música, portanto, possibilita ao indivíduo aprofundar-se em medos, anseios e desejos. A percepção de si traz tanto experiências prazerosas como dolorosas e, muitas vezes, difíceis de elaborar. Por meio de técnicas e recursos da Musicoterapia é possível ir além de atividades recreativas (para animar e alegrar), e alcançar o campo da produção musical como expressão do humano que desafia e supera os seus medos, sonorizando a vida no seu processo cíclico. Assim como na vida temos momentos de tensão e repouso, perguntas e respostas, conflitos e resoluções, vêem-se nas estruturas musicais certas semelhanças a padrões dinâmicos da experiência humana. Ao produzir e escutar a música da vida convoca-se a espiritualidade na sua função de gerar a sabedoria para viver a finitude, aceitando os limites da vida, ao mesmo tempo em que o existir ganha um sentido de pertença a uma história mais ampla, mantendo assim o senso de integridade.
Palavras chave: envelhecimento, morte, espiritualidade, musicoterapia.
Autoras: Roberta Soares de Barros Florencio. Musicoterapeuta graduada pela Faculdade Est São Leopoldo (2008), pós graduanda em Psicopedagogia pela Gama Filho; Musicoterapeuta clínica na Apae Tatuí, atendimento autistas: artigos publicados na área do estresse, estruturas musicais e esquizofrenia.
Flávia de Barros Nogueira. Graduanda do 7º semestre do curso de Musicoterapia na Faculdade Paulista de Artes. Iniciou os estudos musicais no Conservatório Musical Drº Carlos de Campos, Tatuí, SP. Professora de piano, canto e musicalização na cidade de Osasco.

A musicoterapia como um espaço para elaboração de lutos e fortalecimento da resiliência.

A transitoriedade da vida é inevitável: nascemos e um dia morreremos. A cada dia de nossa existência nos aproximamos mais de nossa morte e aprimoramos nossa capacidade de lidar com as nossas perdas e as alheias. O luto consiste em uma reação, um processo decorrente de uma perda significativa, seja ela de um objeto, pessoa, relacionamento ou emprego. Há diversos tipos de perdas que podem ocasionar o processo de luto, não sendo este um processo exclusivo da perda relacionada com a morte. Entretanto, lidar com a perda, independentemente de qual tipo seja, é extremamente complicado, pois nos coloca a refletir sobre nossa vida, sobre nossa condição humana e nos convida a reagir e a criar estratégias para a superação e seguir com a vida. Áries (2003) aponta que, a partir da segunda metade do século XIX, a realidade da morte passa a ser velada, escondida por metáforas, modificando conseqüentemente os rituais de luto. O luto era antes visto como um processo natural, do qual participava toda a comunidade da qual o enlutado fazia parte. O processo de luto era compartilhado pela comunidade e o enlutado encontrava o apoio e o espaço para seu luto entre os seus. Atualmente, Worden (1998) coloca que é no profissional de saúde mental que o enlutado procura auxílio, considerando-se que não há mais espaços para o diálogo sobre a perda, o que é de extrema importância para haver a elaboração da mesma: não há mais tempo e nem disponibilidade para viver o luto. Muitas vezes, a urgência em retomar a vida faz com que o processo do luto seja deixado de lado, negado e até esquecido. As experiências negativas vivenciadas num processo inacabado influenciam de maneira negativa o desenvolvimento de um indivíduo, podendo gerar desde a dificuldade de estabelecer novos laços afetivos até depressões ou outros quadros patológicos mais graves. O presente trabalho constitui-se em uma pesquisa qualitativa, bibliográfica, cuja base utilizada foi a de trabalhos de conclusão de graduações em Musicoterapia em instituições brasileiras e trabalhos publicados em anais de eventos científicos da área. O luto é conceituado e caracterizado a partir de leituras de John Bowlby, Sigmund Freud, Colin Parkes, William Worden e Lily Pincus. Busca-se encontrar possíveis respostas para o seguinte questionamento: de que maneira a Musicoterapia pode auxiliar na elaboração de lutos de modo a contribuir para o fortalecimento da resiliência de um indivíduo? Foram então traçados os seguintes objetivos: a) refletir sobre a importância da elaboração dos lutos decorrentes das perdas que o indivíduo sofre ao longo de sua existência e b) apontar para as possíveis intervenções da Musicoterapia no processo de luto em direção ao fortalecimento da resiliência do indivíduo. Como conclusão, o presente trabalho aponta hipóteses para uma futura pesquisa, auxiliando na delimitação do campo de estudo do luto em Musicoterapia.

Palavras-chave: Luto, Resiliência, Musicoterapia.
Autora: Natália Elisa Magalhães. Bacharel em Musicoterapia- Faculdades EST -2008. Mestranda em Teologia na mesma instituição-Bolsista CAPES-PROEX. Musicoterapeuta Clínica no Centro Musical Musisinos e na Clínica de Musicoterapia da Faculdades EST. Experiência clínica com enlutados, gerenciamento do stress, distúrbios de aprendizagem e reabilitação física.

Vivências Musicais na área hospitalar: Uma abordagem em educação musical sob a perspectiva humanista.

A abordagem humanista pode ser um corpo teórico importante para compreensão do fazer musical da criança em situação de internamento médico. Na perspectiva humanista-existencial, as manifestações do homem têm um caráter próprio onde a intencionalidade da consciência se manifesta na forma de uma totalidade em movimento, enfatizando seu aspecto criativo. Segundo Amatuzzi, em Uma psicologia Humana, o "homem aparece como pessoa atual e com abertura para algo outro, onde corpo e alma são indissociáveis (...) é a busca, criação, atribuição e comunicação do sentido; o homem desafiado no presente em relação ao sentido de sua vida." (2009, p.22). A criança em ambiente hospitalar passa por diversos procedimentos físicos e médicos, muitos deles ligados à dor. Nesse contexto, a ansiedade e tensão da criança e de seus familiares aparecem sinalizadas de várias formas. "Toda essa vivência constrói na criança processos psíquicos onde sensações e a percepção do ambiente e contexto configuram experiências de consciência específicas" (OLIVEIRA, 2009). O trabalho vai abordar observações feitas em atividades de educação musical realizadas por alunos de graduação em Música da UFPR - coordenados por uma musicoterapeuta - nas brinquedotecas de um hospital infantil em Curitiba. Foram observadas um total de cinco aulas ministradas semanalmente no período de março a junho deste ano. A coleta de informações sobre essa prática musical com as crianças se dá através de fichas de controle onde são relatadas as experiências de interação musical das crianças, materiais e recursos utilizados, bem como planos de aula e dados de identificação dos participantes. De acordo com registro em diário de campo e relatório de observações, destacam-se como aspectos relevantes a relação tempo versus interação musical, a forma como a afetividade da criança e de seus familiares aparecem positivamente e as possibilidades de significação do espaço hospitalar como espaço de aprendizado musical através de mecanismos lúdicos e sonoros. Toda essa prática, amparada na abordagem humanista, estabelece terrenos epistemológicos comuns com a musicoterapia, buscando nesta subsídios que permeiam a prática do educador musical. Esse estabelecimento de relação pode ser exemplificado com a prática de uma observação mais criteriosa e dirigida por parte do educador, ou mesmo o uso do objeto integrador: "seringas transformadas em chocalhos". Estes chocalhos acabam por traçar um elo sonoro-gestual entre a criança, o familiar, a música e professor. Utilizados ainda como um recurso pedagógico-musical, possibilitam a re-significação do "objeto médico", transpondo-o para universo sonoro-musical. A atividade, apesar de seu caráter lúdico-pedagógico-musical, oferece importantes reflexões sobre a experiência musical da criança internada e traça pontos de encontro importantes para desenvolvimento das áreas de educação musical e musicoterapia. Em Musicoterapia na Humanização, Marly Chagas cita que "o uso de canções pode contribuir ao oferecer aos pacientes significados existenciais que os auxiliam e fortalecem, também servindo como instrumento para atitudes de enfrentamento em relação à doença" (PINTO, 2005, p.1307).
Palavras-chave: experiência musical, criança hospitalizada, musicalização.
Autora: Bárbara Trelha Oliveira. Musicoterapeuta (2004); Graduanda Musica UFPR (2010); Instrutora canto coral-PR ; Oficina de música- APAE-Antonina UFPR; Comunicação I Congresso Sul-Brasileiro Fenomenologia UFPR ; I Encontro psicologia Humanista SC ; Estréia: Peça contemporânea no ENCUN -BH-MG ; Composição:Cd/Cancioneiro do Brasil/ HPP.

Estudo e aplicação do perfil psicomusical e a personalidade em universitários: reflexões sobre a realidade brasileira.

O presente projeto propõe a realização de uma pesquisa aplicada, por meio da investigação sobre o Estudo do Perfil Psicomusical e a Personalidade, desenvolvido por Verdeau-Paillès. Percebendo a escassez de bibliografia sobre o referente assunto em língua portuguesa, surgiu o desejo de realizar uma pesquisa tendo como base o estudo supracitado adaptado ao contexto brasileiro, especificamente com estudantes universitários da Universidade Federal de Goiás. Tendo como base o método qualitativo, após a Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFG, a fase de coleta de dados se realizará no Laboratório de Musicoterapia da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG com 20 jovens e adultos normativos vinculados a esta Universidade. A não utilização de métodos que possam trazer riscos a integridade psicofísica dos sujeitos, a participação de uma co-terapeuta e a realização de supervisões periódicas foram medidas adotadas para a diminuição dos possíveis riscos aos sujeitos. Assim, acreditamos que essa pesquisa possa contribuir com o acervo bibliográfico na área da Musicoterapia, estimular novos estudos relacionados ao Perfil Psicomusical e Personalidade em Musicoterapia, e oportunizar uma nova visão do referido tema a partir da realidade brasileira no contexto da Universidade Federal de Goiás.
Palavras-chave: Perfil Psicomusical e Personalidade; Psicanálise; Musicoterapia
Autora: Renata Fontes dos Santos. Acadêmica do sétimo período do curso de Musicoterapia da Escola de Música e Artes Cênicas/Universidade Federal de Goiás.

A aplicação de experiências musicais musicoterapêuticas no processo de seleção de pessoal.

O processo de Seleção de Pessoal torna-se cada vez mais criterioso, visto que por meio deste são selecionados os futuros colaboradores de uma organização, os quais influenciam decisivamente no funcionamento da mesma. De acordo com Gramigna (2006), uma das pioneiras da área de Recursos Humanos no Brasil, as empresas que se anteciparem, implantando estratégias que atraiam, desenvolvam e retenham profissionais em potencial, terão maiores chances de enfrentar a concorrência e ganhar o mercado. Desta forma, acredita-se que a Musicoterapia pode contribuir na área de Recursos Humanos através da inovação e humanização dos processos seletivos por meio de experiências musicais musicoterapêuticas. Esta pesquisa configura-se como requisito para a conclusão do Curso de Musicoterapia na Universidade Federal de Goiás (UFG) e será desenvolvida durante o ano de 2010. Em uma abordagem qualitativa, objetiva-se investigar como a Musicoterapia pode contribuir no desenvolvimento do Processo de Seleção de Pessoal. Mediante a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFG, será realizada uma intervenção musicoterapêutica em grupo com os candidatos concorrentes a um cargo de estagiário de uma organização. Serão utilizados como instrumentos para a coleta de dados um Protocolo de Observação e uma Ficha de Conhecimento, Atitudes e Habilidades, baseados nas competências exigidas para o cargo pretendido.
Palavras-chave: Musicoterapia; Seleção de Pessoal; Recursos Humanos
Autores: Melina Helena Massarani. Aluna do 7° período do curso de musicoterapia da Universidade Federal de Goiás; Tem experiência em estágio com portadores de encefalopatia crônica, déficit cognitivo, esquizofrenia, autismo, e câncer (pediatria); Está desenvolvendo o seu Trabalho de Conclusão de Curso na área de Musicoterapia Organizacional.
Thâmile Ferreira Vidiz. Bacharel em Musicoterapia (Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, 2009); Musicoterapeuta na área da Educação - atuando junto a crianças e adolescentes no Colégio Estadual Criméia Oeste; Musicoterapeuta da área Hospitalar - atuando junto a adultos e idosos com Insuficiência Renal Crônica, na Clínica de Doenças Renais.
Fernanda Valetin - Bacharel em Musicoterapia (Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás - UFG, 2006); Mestre em Música (UFG, 2010); atualmente é professora substituta da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, na área: Musicoterapia: Fundamentos e Aplicabilidades; Promove workshops, oficinas e treinamentos para desenvolvimento de grupos com Musicoterapia em Empresas. Atua principalmente nos seguintes temas: Educação, Educação Social, Recursos Humanos e Saúde Mental.

Canções religiosas e o tratamento de pacientes com insuficiência renal crônica sob hemodiálise: Experiências musicoterapêuticas considerando a dimensão espiritual.

Pacientes com insuficiência renal crônica, sob hemodiálise, passam por significativas mudanças em seu estilo de vida, que podem envolver a dimensão orgânica, emocional, social e espiritual. Diante desta situação é provável o surgimento do sofrimento, podendo ser manifestado por quadros de ansiedade grave, falta de esperança na vida e medo da morte. O presente trabalho é fruto de uma pesquisa monográfica do Curso de Musicoterapia da Universidade Federal de Goiás, com o objetivo de investigar a influência das canções religiosas no tratamento de pacientes com insuficiência renal crônica, em atendimentos musicoterapêuticos feitos durante a hemodiálise, focalizando a dimensão espiritual. A pesquisa de campo desenvolveu-se na Unidade de Hemodiálise da Santa Casa de Misericórdia de Goiás (SCMG), instituição hospitalar pública/filantrópica. O projeto foi desenvolvido, observando-se as recomendações da Resolução CNS 196/96, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da SCMG, Goiânia-Go, para sua execução. A pesquisa realizada teve metodologia qualitativa. As intervenções ocorreram com um grupo de sete integrantes que atendiam critérios de inclusão como: idade superior a 18 anos, presença da lucidez e orientação espacial. Como critérios de exclusão foram considerados: ter comorbidade de transtorno mental (exceto sintomas de depressão previstos), ter previsão de transplante renal dentro do período da pesquisa e estar em coma. O período de intervenção foi de cinco semanas, no decorrer do segundo semestre de 2009, sendo duas sessões semanais, todas supervisionadas pela musicoterapeuta orientadora da monografia. Cada sessão teve a duração de aproximadamente uma hora e trinta minutos sendo realizada em grupo, com a participação daqueles pacientes que assinaram o TCLE. Para a coleta de dados foram utilizados os prontuários, entrevistas com os participantes da pesquisa para preenchimento da ficha musicoterápica e fichas de identificação. No decorrer do processo foram realizados registros por intermédio dos relatórios das sessões de Musicoterapia, das gravações em áudio e vídeo, a partir das quais foram elaborados relatórios descritivos. Em função das necessidades descritas pelos pacientes, em conjunto com as canções relatadas durante o preenchimento das Fichas Musicoterápicas, a musicoterapeuta/pesquisadora determinou experiências musicoterápicas que seriam utilizadas durante os atendimentos, tais como Re-criação instrumental e vocal, Composição Musical, Improvisação Musical e Audição Musical, descritos por Bruscia (2000). Com todos os dados coletados foi feita a triangulação dos mesmos. Considera-se que os sujeitos da pesquisa conseguiram alcançar influências benéficas através do auxílio direcionado à dimensão espiritual, superando ou melhorando os sintomas diagnosticados no início dos atendimentos. Concluiu-se que por meio da utilização de canções religiosas, durante o processo musicoterapêutico, o paciente hospitalar comunica sentimentos que estão associados: ao desejo de recuperação, à aceitação ou não-aceitação da doença, ao desejo de união a familiares e amigos, à fé no futuro, à possibilidade e aceitação da terminalidade, à culpa recôndita e à transcendência. Este tipo de canção auxilia o paciente a exteriorizar sentimentos de tristeza, dor e ansiedade com uma significativa diferença do uso das demais canções, pois com o uso da canção religiosa o paciente se sente acolhido por uma força Sagrada, que lhe conforta, e o auxilia em seu equilíbrio.
Palavras-chave: Musicoterapia, Hemodiálise, Espiritualidade.
Autoras: Thâmile Ferreira Vidiz - Bacharel em Musicoterapia pela Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2009. Musicoterapeuta na área da Educação - atuando junto a crianças e adolescentes no Colégio Estadual Criméia Oeste; Musicoterapeuta da área Hospitalar - atuando junto a adultos e idosos com Insuficiência Renal Crônica, na Clínica de Doenças Renais.
Claudia Regina de Oliveira Zanini - Doutora em Ciências da Saúde, Mestre em Música, Especialista em Musicoterapia em Educação Especial e em Saúde Mental. Professora e Pesquisadora do Curso de Musicoterapia e do Mestrado em Música da UFG. Musicoterapeuta na Liga de Hipertensão da UFG. Líder do NEPAM - Núcleo de Musicoterapia (CNPq).
Ângela Alessandri Monteiro de Castro - Graduada em Enfermagem e Obstetrícia e em Licenciatura em Enfermagem pela Universidade Federal de Goiás (1979), fez mestrado em Educação Brasileira pela Universidade Federal de Santa Maria (1992). Atualmente é professora assistente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. Tem experiência na área de Enfermagem, com ênfase em Enfermagem/Licenciatura, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação e Saúde; Metodologia do Ensino Superior; Espiritualidade em Saúde; Tanatologia.
Marcela Emília Carelli de Siqueira - Bacharel em Musicoterapia pela Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2009.

As cores do som: Relações entre cores e notas musicais para uma possível intervenção clínica com deficientes auditivos.

A correspondência entre os sons e as cores, referindo-se aos timbres ou às notas musicais, é a mais antiga forma de relacionamento audiovisual (CAZNOK, 2008). Diversos estudos revelam a grande proximidade na relação entre as artes visuais e a música, ou seja, podemos sentir um imenso prazer ou certo desconforto ao ouvir uma determinada peça musical e o mesmo também acontece ao observarmos uma obra de arte. Isso ocorre justamente por ambas as categorias existirem por meio de freqüências e através dos sentidos chegarem até nós. Existem obras que exigem do espectador uma total percepção, e o debate da união entre a audição e a visão é um fato presente na produção artística de várias maneiras. Nessas produções, além da participação da audição e da visão, também há a participação do tato, do olfato e até do paladar (CAZNOK, 2008). Através de uma investigação histórico-bibliográfica e de análise de repertório, tem-se a idéia de que o sentido da audição sempre esteve ligado ao sentido da visão, ou seja, na tradição da música ocidental, o ouvir, há muito tempo, sempre esteve conectado ao ver. Se baseando nesses estudos, Caznok (2008), afirma que as divisões atribuídas ao sentido da audição e ao sentido da visão são pensamentos teóricos, técnicos e analíticos alheios à concepção e à experiência artísticas. A audição e a visão são os sentidos que permitem ao homem realizar e perceber as cinco grandes Belas Artes: música, poesia, pintura, escultura e arquitetura. A música - sensação do tempo (temporalidade) - e a pintura - sensação do espaço (espacialidade) - nos dão a essência do mundo (LEINIG, 2008). A exibição audível de imagens de cor pode levar a diferentes maneiras de um ouvinte perceber uma peça musical (MARGOUNAKIS e POLITIS, 2006). Toda a abordagem se baseia em estudiosos das áreas da música, ciência e artes visuais e busca explorar essa relação entre notas musicais e cores, mostrando também alguns estudos que estabelecem as relações entre as freqüências dos sons e as das cores, incluindo o fenômeno da sinestesia. Trata-se de um trabalho que vê a música fora do padrão auditivo, além do sentido da audição que é usado pelo ser humano para se relacionar com a música e até mesmo pelo tato (vibração), como alguns trabalhos já realizados na área da vibroacústica. Aqui a música é vista também como imagem, especificamente notas musicais em cores (aqui não se trata do método GIM - Guided Imagery and Music de Helen Bonny). Dentro de um processo de musicoterapia, a relação entre terapeuta e paciente tem como objeto intermediário o(s) instrumento(s) musical(is). Um paciente com deficiência auditiva se relaciona sensorialmente com os instrumentos dispostos na sessão musicoterapêutica, desenvolvendo assim, uma unidade acústica, visual e motora, a partir de um fazer lúdico, com a finalidade de compreender, detectar, identificar e discriminar o som destes instrumentos. Sendo assim, para essas pessoas, não é somente pelos aspectos sensório-táteis que se dá a intervenção de um determinado instrumento musical, mas também pelo visual e motor (BUGALHO FILHO, 2001).
Palavras-chave: Deficiência Auditiva, Audiovisual e Sinestesia.
Autor: Igor Ortega Rodrigues. Graduado em Musicoterapia (Faculdade Paulista de Artes, 2009); músico e professor de musicalização infantil; Autor do artigo "A música e o cérebro humano", Revista Baixo Brasil e da monografia As Cores do Som; Atualmente desenvolve um software que relaciona notas musicais e cores.

Musicoterapia e psicose: Estudo de caso sobre as contribuições da linguagem musical no discurso e laços sociais de um esquizofrênico.

O trabalho propõe apresentar a proposição de elaboração de um projeto de pesquisa a ser desenvolvido como pré-requisito para a conclusão do curso de graduação em musicoterapia. O projeto apresenta a realização de uma pesquisa de campo, de caráter qualitativo e cunho exploratório, propondo interfaces entre as áreas de Musicoterapia e Psicanálise. Trata-se de um projeto de pesquisa a ser desenvolvido como requisito para a conclusão do curso de graduação em Musicoterapia da Universidade Federal de Goiás. Será realizado um estudo de caso com um paciente esquizofrênico do Centro de Saúde - Parque Atheneu com o objetivo principal de investigar como a Musicoterapia, por meio da linguagem musical e dos instrumentos musicais, pode contribuir em seu discurso e laços sociais. O projeto passa atualmente pela avaliação da Secretaria Municipal de Saúde do estado de Goiás, sendo encaminhado em seguida para a Comissão de Pesquisa da Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC) da UFG, e por fim, será enviado para a aprovação do Comitê de Ética da UFG. O indivíduo esquizofrênico tem em sua imagem corporal uma deficiência que gera uma dificuldade entre seus sentimentos e suas expressões. Sua postura corporal, a tonicidade muscular, olhares, a perda da espontaneidade gestual, da harmonia e da graça dos movimentos mostram rigidez e tensão (COSTA, 2009). Deutsch (1968 apud QUINET, 2006) afirma que a relação emocional do indivíduo esquizofrênico com o mundo externo e com o seu próprio eu parece estar empobrecida ou ausente. O musicoterapeuta oferece através de diferentes recursos musicais uma ampliação das possibilidades expressivas do paciente, movendo-o das formas constantes e estereotipadas. O processo musicoterapêutico é um movimento espiralar com centro na música, que se constitui como um trinômio - ação/relação/comunicação interligado e percebido a partir da ação musical. O "prazer de ouvir" segundo Costa (idem), leva o esquizofrênico a ter a percepção de que existe algo exterior que propicia prazer - a música. Dessa forma, justifica-se a relevância deste trabalho por pretender uma reflexão sobre a prática clínica musicoterapêutica fundamentada na teoria psicanalítica, a qual pode oferecer uma rica compreensão dos acontecimentos no setting musicoterapêutico. Acredita-se que a utilização da música e seus efeitos no desenvolvimento de um processo terapêutico com indivíduo esquizofrênico, podem possibilitar novos caminhos na construção de seus sentidos, significados, assim também como seu discurso e seus laços sociais. Pretende-se com este trabalho contribuir para a bibliografia da área de Musicoterapia e áreas correlatas.
Palavras-chave: Musicoterapia; Psicanálise; Esquizofrenia.
Autoras: Fabiane Noleto Siqueira. Graduanda do 7ª período do Curso de Bacharelado em Musicoterapia - Universidade Federal de Goiás; Membro do Grupo de Estudo em Psicanálise sobre psicoses, Universidade Católica de Goiás.
Fernanda Valentin. Graduada em Musicoterapia e Mestre em Música pela UFG. Atualmente é professora, supervisora e orientadora no Curso de Bacharelado em Musicoterapia da Escola de Música e Artes Cênicas, UFG. Membro do NEPAM - Núcleo de Estudo, Pesquisa e Atendimento em Musicoterapia.

Musicoterapia no pré-parto: contribuindo para a humanização em uma maternidade pública.

Diversos sentimentos mobilizam as parturientes: ansiedade, medo, questionamentos sobre o parto, a saúde do bebê ao nascer, as mudanças que ocorrerão com a chegada da criança, a preocupação até mesmo com os outros filhos que ficaram com o pai, vizinhos ou parentes. Tudo isso pode interferir nas fases pré, peri e pós-natal. Humanizar o parto é prestar um atendimento focado às necessidades da mulher. A equipe de saúde deve mostrar todas as opções que a mulher tem de escolha, baseada na história do pré-natal e no desenvolvimento fetal, acompanhando todas essas escolhas. Este trabalho trata-se de um projeto de pesquisa em andamento, visando a finalização do curso de graduação em Musicoterapia na Universidade Federal de Goiás. Propõe-se investigar os efeitos da utilização da musicoterapia durante o pré-parto humanizado, visando contribuir para o conforto da mãe antes do nascimento e proporcionar segurança neste momento. Os objetivos específicos são: observar alterações no estado de ansiedade materna nos atendimentos de Musicoterapia no trabalho de parto; verificar a contribuição da Musicoterapia no momento do pré-parto e gerar bibliografia nas áreas de Musicoterapia e Parto Humanizado. Será realizada uma pesquisa quantitativa, tendo como critérios de inclusão: ser gestantes na faixa etária entre 18 - 35 anos; ter dado entrada na maternidade já em trabalho de parto, com contrações uterinas; ser primigesta; ter tido pré-natal de baixo risco; consentir em participar da pesquisa através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Serão formados dois grupos: grupo experimental (GE) e grupo controle (GC). O GE receberá atendimento musicoterápico, além dos procedimentos usuais da instituição. O GC passará apenas pelo procedimento padrão. Como instrumentos para a coleta de dados quantitativos serão utilizados: o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE-E), o Questionário de Experiência e Satisfação com o Parto - QESP (adaptado para a presente pesquisa), a nota do Teste de APGAR e a necessidade de Analgesia. Ao final da pesquisa os dois grupos serão comparados.
Palavras-chave: Musicoterapia, parto humanizado, sistema público de saúde.
Autores: Sara Marques Melo Sousa. Discente do Curso de Musicoterapia da UFG - Universidade Federal de Goiás. Participante do NEPAM - Núcleo de Musicoterapia (CNPq).
Claudia Regina de Oliveira Zanini - Doutora em Ciências da Saúde, Mestre em Música, Especialista em Musicoterapia em Educação Especial e em Saúde Mental, Professora e Pesquisadora do Curso de Musicoterapia e do Mestrado em Música da UFG. Líder do NEPAM - Núcleo de Musicoterapia (CNPq).
Luiz Carlos Pinheiro - Médico ginecologista e obstetra da Maternidade Nascer Cidadão e Clínica Humani
Thayná Lourenço Mendes Bueno - Discente do Curso de Musicoterapia da Universidade Federal de Goiás.

Há sentido em falar de significação na música?

O músico austríaco, Zuckerkandl, se propõe a analisar a música pela música, constantemente retomando os elementos fundamentais desta arte, seu sistema e sua dinâmica. Contudo, não desconsidera as disciplinas que se articulam com a música; apenas acredita que seus objetos de estudo não partem da música, mas de aspectos externos a ela. Mesmo que o objetivo imediato da música permita variações, ajustando-se às situações exigidas, como servir de apoio a alguma finalidade religiosa, social, ou cinematográfica, há algo que se mostra comum em todos estes contextos. Partindo disso, o autor retoma conceitos primordiais da relação do homem com a música, defendendo a idéia de que, em sua origem, a arte não existe enquanto algo externo, algo a ser admirado. No passado, homem e arte se fundem, coexistem. O desenvolvimento da fala, porém, promoveu a distinção entre sujeito e coisas, gerando segregação quando antes era unidade. Sendo a música elemento constitutivo da espécie humana, sua possível função é possibilitar ao homem o abandono de seus limites, um alargamento do Ser, um retorno à posição de totalidade com as coisas que o cercam, não suplantando a linguagem, a razão, o logos, mas agindo de forma complementar. Este artigo apresenta traços de um ensaio filosófico, porém sem seu rigor estrutural. A tese colocada por Zuckerkandl de que a música constitui todo ser humano é colocada em diálogo com os filósofos Nietzsche e Susanne Langer. Nietzsche, por seu pensamento sobre a música e a existência humana, e Langer, pelo estudo sobre simbologia e sobre a linguagem da arte. Para Nietzsche, analisando a tragédia grega, na música está a dinâmica criadora, não conceitualmente compreensível, como no caráter apolíneo, mas misticamente perceptível, na música dionisíaca. São nestes momentos de embriaguez, de perda das noções de individuação, das formas e aparências do mundo, que o homem se reintegra à natureza, retoma a consciência e o prazer de sua existência. Langer fortalece essa idéia, porém num outro caminho. Estudiosa da lógica, ela discute a lógica simbólica nas artes; em música, conceituando objeto e símbolo, concluindo que o objetivo da música não é - como muitos afirmam - a catarse. Não é atingir o sentimento em si, mas tornar possível seu conhecimento. Não é explicar, mas possibilitar o contato. É a apreensão do conteúdo antes mesmo da articulação de seus elementos. E, como para ela, é da natureza humana o pensamento simbólico, na mesma proporção que a linguagem consegue delimitar e especificar de forma impossível para a arte em geral, a música é um instrumento para ter acesso a lugares que a linguagem não consegue alcançar.
Palavras-chave: música, significação, totalidade, existência.
Autora: Carine Leite de Ávila. Bacharel em Filosofia (USJT-SP, 2009); Bacharel em Musicoterapia (FAP-PR, 2003); Realizou de 2005 a 2009 trabalhos artísticos culturais na Fundação CASA (SP); Integrante do grupo de pesquisa sobre "Ser e Tempo", Martin Hiedegger (USJT-SP, 2010); Áreas de atuação em Musicoterapia: gerontologia e infectologia.

A contribuição das irmandades religiosas para a re-criação da musicalidade Afro-Brasileira - sentidos e significados na prática comunitária da musicoterapia.

Este trabalho é uma proposta desenvolvida como revisão de literatura em Etnomusicologia para a conclusão de disciplina de pós-graduação em Musicoterapia da Universidade Federal de Goiás. Ele tem como objetivo investigar, sob a perspectiva de autores como José Jorge de Carvalho, Kazadi Wa Mukuna e Tiago de Oliveira Pinto, a função sócio-cultural dos gêneros tradicionais de matriz africana. Estes gêneros musicais vinculam-se às práticas comunitárias em várias regiões brasileiras, tornando-se recurso para a manutenção da memória coletiva e para o sentido de pertencimento ao grupo. Historicamente configuram-se como instrumento de resistência à padronização colocada pela cultura dominante, cujo encontro com os novos elementos da cultura européia, permitiu a ressignificação de gêneros musicais ritualísticos em gêneros comunitários como a capoeira, a congada, o jongo e o samba de roda. Temos como primeiro desafio a análise de alguns aspectos responsáveis pelo encontro entre os gêneros musicais de origem européia e os gêneros musicais africanos de tradição oral através das Irmandades Religiosas no século XVIII e XIX. A partir dessa compreensão voltamos, no segundo momento, nossa atenção para a pluralidade de significados e sentidos em que a musicalidade afro-brasileira oferece ao contexto musicoterapêutico. Nessa direção, o encontro do musicoterapeuta com estes gêneros orais oferece a oportunidade de exercer intervenções psicossociais, através do método da re-criação, ora na clínica, na instituição, ora na comunidade, já que o ISO Cultural representa, em grande medida, as características sonoras individuais e grupais dos clientes. Portanto, até a data do X Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia, poderemos mostrar ao público alguns dados coletados durante a pesquisa.
Palavras-chave: gêneros musicais - irmandades - etnomusicologia - musicoterapia
Autora: Maria da Conceição de Matos Peixoto. Bacharel em Musicoterapia (FAP, 1990); Musicoterapeuta no CAPS - Centro de Apoio Psicossocial; Mestranda em Musicoterapia - UFG; Membro da Diretoria da AGMT.

Musicoterapia e Ciências Cognitivas: possíveis relações entre os processos de pensamento e os processos musicais.

Como a Musicoterapia é uma prática artística inserida no domínio da saúde fazem-se necessários entendimentos sobre o alcance da experiência musical no ser humano. Musicoterapia neste trabalho envolve musicalidade e contexto, e deste modo se está em contato com ambientes inerentemente complexos: as experiências humanas e as experiências musicais, ou também, como apresenta Smeijsters (1999), os processos musicais e os processos psíquicos. Os sentidos da experiência musicoterapêutica para o cliente/paciente emergem inevitavelmente desses domínios processuais. Para o musicoterapeuta, a escuta destes sentidos e consequente construção do processo terapêutico necessita de embasamentos teóricos que integrem esses campos da música e da mente. As possibilidades de integração música e mente, na musicoterapia, são muito significativas, pois constroem bases científicas de sustentação para o uso clínico da música. Alguns trabalhos envolvem campos de representações tanto na semiótica como na semiologia e desenvolvem estudos considerando pensamentos sobre analogias e metáforas para falar de uma coisa pela outra. Seus fundamentos envolvem os campos da Teoria da Música, Filosofia da Música, Musicologia, Etnomusicologia e Psicologia Sócio-histórica. O foco do presente estudo são as construções embasadas na Teoria da Música que se aproximam do campo das Ciências Cognitivas da mente corporificada, por abrirem verticalmente alguns entendimentos teóricos na Musicoterapia. Esses conhecimentos da Teoria da Música e Musicologia embasam-se em estágios pré-verbais das experiências de escuta e execução musical que estão na base das ações sonoro-musicais / sensório-motoras e da fala no âmbito da comunicação. Uma abordagem cognitiva corporificada não considera o âmbito da representação. Não existe algo na vida das pessoas que possa ser representado na música. Quando o corpo e as experiências vividas são admitidos como formadores de sentidos mais que as reflexões verbais destas experiências, significar-fazendo é importante para musicoterapia. As possíveis relações estabelecidas nessa rede complexa de processos musicais e de pensamento, descritos em publicações científicas, são o objeto dessa pesquisa. O objetivo geral: estudar as relações entre os processos de pensamento e os processos musicais presentes na literatura específica com fundamentos na Ciência Cognitiva da Mente Corporificada descrita na Teoria da Metáfora de Lakoff e Johnson. E específicos: estudar o trabalho filosófico de Zuckerkandl que integra homem e música com bases não positivistas; o uso da Teoria da Metáfora aplicada à Música e à Musicoterapia. Como metodologia desenvolve-se uma Pesquisa Bibliográfica. As reflexões a partir das obras de Zuckerkandl (Filosofia da Música), Aigen (Musicoterapia Músico-Centrada) e Lakoff e Johnson (Teoria da Metáfora) apresentam possibilidades de relações entre os processos. Os resultados parciais apontam para os aspectos musicais presentes e geradores do sentido musical. A mente humana é capaz de escutar uma sequencia de sons como música à medida que esta sequencia tem sentido musical ao ouvinte. Segundo Nogueira (2009), esse sentido musical é pré-verbal. O fator da música ser capaz de produzir este fenômeno é descrito por Zuckerkandl como: 'qualidades dinâmicas da nota'. Qual o papel dessas 'qualidades dinâmicas da nota' na construção de uma sequencia de notas como música? A continuidade dos estudos levará a hipóteses para essa e outras questões.
Palavras-chave: Musicoterapia; Teoria das Metáforas; Qualidades Dinâmicas da Nota;
Autora: Clara Márcia de Freitas Piazzetta. Mestre em Música/Musicoterapia (UFG, 2006); Graduada em Musicoterapia (FAP-PR, 1988); Docente do Colegiado de Musicoterapia - Faculdade de Artes do Paraná; integrante dos grupos de Pesquisa NEPIM/FAP-CNPq e NEPAM/UFG-CNPq; Musicoterapeuta clínica.

MUSICOTERAPIA E NEUROCIÊNCIA III

Musicoterapia, a prática clínica vista sob a ótica da neurociência.
O objetivo deste trabalho é expor minha experiência profissional na prática clínica com pacientes neurológicos, mais especificamente com Transtorno Invasivo de Desenvolvimento (TID), encaminhados por neuropediatras ao longo de doze anos de atuação profissional. Além disso, explicar procedimentos usuais na musicoterapia com esta clientela, a eficácia na interação e os objetivos alcançados segundo as particularidades cerebrais já comprovadas. Com isso pode-se tornar mais claro e objetivo para profissionais de saúde a atuação da musicoterapia. Entende-se que as pesquisas científicas comprovadas do funcionamento do cérebro e a música são referencias substanciais para explicar nossa prática. Em trabalhos anteriores sobre o cérebro do músico como referencial nas práticas musicoterápicas já pude iniciar a discussão que será direcionada neste momento para uma clientela específica de pacientes neurológicos. Utilizando a experiência clinica com diversos pacientes com TID, será explicado com a linguagem neurocientífica a eficácia da musicoterapia. A análise de situações clínicas, registros variados, depoimentos de profissionais médicos da área da neurologia, outros profissionais da área de saúde, clientes e familiares envolvidos ilustrarão a abordagem. A base científica norteadora deste trabalho é: Altenmuller (2009), Austin(2009), Bigand (2009), Bruscia (2000), Camargos(2002), Barcellos (2004), Levitin (2007), Oberman(2008), Peretz (2008), Ramachandran (2008), Sacks (2007), Schlaug (2007), Sinclair (2001), Schartzmann ( 2000), Watson (2007), Zatorre (2009).
Palavras-Chave: Musicoterapia, cérebro, transtorno invasivo do desenvolvimento
Autora: Nydia Cabral Coutinho do Rego Monteiro. Especialista em Musicoterapia (Conservatório Brasileiro de Música, 1998); Musicoterapeuta do CEIR (Centro de Reabilitação Física); da Rede Feminina de Combate ao Cancer-Hospital; Consultório com clientela neurológica; Co-autora do projeto de Especialização em Musicoterapia pela UFPI. Presidente da Associação de Musicoterapia do Piauí. Homenageada pela Ordem dos Músicos por Mérito profissional (2009).

Evidências dos efeitos da musicoterapia no sistema imunológico humano.

Além dos elementos neurológicos e comportamentais, imagina-se que o sistema imune também possa ser investigado como uma fonte de observações dos resultados da intervenção musicoterapêutica. Para realizar tais avaliações é necessária ou a análise de saliva ou a análise sanguínea. Esta concepção emergente apresenta poucos estudos ainda. Contudo, seus resultados podem mostrar algumas possibilidades até então não discutidas sobre a aplicabilidade da musicoterapia. Entre algumas evidências, cabe citar o impacto do uso de tambores em musicoterapia no aumento do número de células killer, leucócitos e imunoglobulinas em adultos saudáveis, por exemplo. Ao comparar o grupo que recebeu o tratamento em relação ao grupo controle, houve um aumento estatisticamente significativo dos aspectos imunológicos citados. Outro exemplo foi o estudo das relações entre leucócitos e receptores dopaminérgicos DRD4, música e autismo. A música pode proporcionar uma ativação do sistema dopaminérgico aumentando a sensação de prazer e recompensa. Se a musicoterapia pode auxiliar na melhora do sistema imune, fica a pergunta: o que o aumento de células de defesa influencia no organismo do indivíduo? A resposta mais conhecida seria que este aumento eleva a capacidade de proteção do ser humano e dessa forma este sujeito está menos propenso a doenças. No entanto, outro aspecto relevante é que o aumento de células de defesa, principalmente no sangue, favorece a produção de neurotransmissores básicos como a dopamina. Ou seja, o estímulo aos aspectos imunológicos, mediante as relações e experiências musicais, pode sintetizar substâncias que normalmente são obtidas apenas com a administração de medicamentos. Isto fica evidente no estudo das relações entre leucócitos, receptores dopaminérgicos DRD4, música e autismo publicados no artigo "Increased dopamine DRD4 receptor mRNA expression in lymphocytes of musicians and autistic individuals: bridging the music-autism connection" (Neuroendocrinology Letters). A música pode proporcionar uma ativação do sistema dopaminérgico aumentando a sensação de prazer e recompensa, que está mais ativada em músicos e em crianças com autismo (talvez esta seja uma das explicação para o interesse dos autistas por música). Objetiva-se realizar uma revisão dos trabalhos a respeito da influência da musicoterapia sobre o sistema imunológico, por meio de busca de publicações indexadas nas bases de dados LILACS, ScIELO, Medline, COCHRANE, Scopus, Isi web of Knowledge, segundo os descritores: "music therapy", "music" , "immunology" e "immunologic". Resultados: Dentre os poucos trabalhos encontrados, a maior parte trata dos efeitos da música em modelos animais; aqueles testados em humanos foram na sua maioria desenvolvidos com adultos. Estes estudos mostraram que a musicoterapia influencia positivamente nos aspectos celulares que estão envolvidos com o sistema de defesa do organismo humano. Alguns trabalhos relacionaram este benefício imune com elementos comportamentais como a diminuição dos níveis de ansiedade e dos comportamentos depressivos segundo protocolos formais de avaliação. Espera-se que o esclarecimento sobre este tema auxilie os musicoterapeutas a compreenderem os efeitos do tratamento musicoterapêutico sobre outra perspectiva. As respostas, procuradas até então no cérebro e nas manifestações de comportamento, podem ser na verdade iniciadas em aspectos imunológicos, já que estes regulam a ação dos neurotransmissores que exercem um papel determinante no conjunto de funcionamento do indivíduo. A musicoterapia, portanto, passa a ter uma análise microscópica dos seus efeitos. Esta deve ser considerada como um fenômeno complexo e recursivo, não reduzida a uma relação de causa e efeito.
Palavras-chave: efeitos, musicoterapia, imunológico
Autores: Gustavo Schulz Gattino: mestre pelo programa de pós-graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da UFRGS (2009), musicoterapeuta graduado pelas Faculdades EST (2007). Doutorando no programa de Saúde da Criança e do Adolescente da UFRGS, professor de Bioestatística no curso de Nutrição da UFRGS e membro do ProTID.
Julia Medeiros Sorrentino: possui curso técnico profissionalizante em Biotecnologia pela UFRGS (2007). Atualmente é aluna de graduação do curso de Farmácia da UFRGS, bolsista de Iniciação Científica do CNPq no Grupo de estudos em Plasticidade Neuroglial da UFRGS e membro do ProTID.
Tamara da Silva Vaccaro: possui Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Bioquímica, na especialidade de Genética Molecular Humana pela UFRGS (2008), graduação em Farmácia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com ênfase em Análises Clínicas (Bioquímica) pela UFRGS (2003). Atualmente é doutoranda no programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Bioquímica da UFRGS e membro do ProTID.
Carmem Gottfried: possui doutorado em Bioquimica pela UFRGS (2000), com bolsa sanduíche na Universidade de Newcastle, Austrália (1997), mestrado em Bioquimica pela UFRGS (1996) e graduação em Farmácia pela UFSM (1991). Atualmente é professor adjunto III da UFRGS (início em 2005), ministrando disciplinas para o curso de graduação em Biomedicina. Orientadora nos Programas de Pós-Graduação em Ciências-Biológicas: Bioquímica (conceito 7) e Neurociências (conceito 5). Coordenadora substituta do Programa de Pós-Graduação em Neurociências. É consultora ad hoc de agências de fomento e revisor de períodicos da área. Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Plasticidade Neuroglial e coordenadora do departamento de Bioquímica do ProTID.

O que fazem(os) com os resultados de nossas pesquisas?

Entende-se que num evento que se propõe a refletir sobre a pesquisa em musicoterapia no país cabe não só a apresentação e debate sobre as pesquisas realizadas, mas, também, a discussão de aspectos que possam facilitar o crescimento desta atividade para uma efetiva contribuição para o desenvolvimento da área. A pesquisa em musicoterapia no Brasil tem trilhado um caminho bastante difícil: desde a inexistência ou pequena produção, até a criação de estratégias para levar os musicoterapeutas a se mobilizarem para este tipo de atividade. Os musicoterapeutas sempre se referiram às dificuldades enfrentadas: falta de formação suficiente; falta de apoio institucional e de ajuda financeira dos órgãos de fomento. Enfim, estas foram e ainda são, dentre tantas outras, as principais queixas e, muitas vezes, a justificativa para que não dispendamos esforços para fazer pesquisa. A realização de uma pesquisa exige um investimento de energia, tanto física quanto mental; um tempo considerável para um levantamento de bibliografia que é, sempre, exaustivo; uma disponiblidade para reuniões com orientadores, consultores, pares e, às vezes, alunos, além do estudo necessário. Compra de livros, buscas em sites, escolha de temas, metodologia, estratégias, enfim, tudo que envolve a realização de uma atividade complexa. No entanto, quando terminada a pesquisa surge uma questão importante: como vou apresentar os resultados para que a pesquisa possa ser replicada caso haja interesse? Como vou democratizar esses dados? Há interesse de outros musicoterapeutas em nosso país pelo que fazem nossos pares? Há suficiente utilização de resultados de pesquisas de outros autores? Sem que estes resultados sejam conhecidos/empregados por outros musicoterapeutas podem vir a contribuir para o desenvolvimento do campo? É possível que estes dados possam contribuir para o desenvolvimento da musicoterapia quando unicamente utilizados pelo autor da mesma? Como damos possibilidades de que outros tenham acesso aos nossos trabalhos de pesquisa? Quando só utilizados na prática clínica, didática ou, ainda, no corpo teórico, pelo próprio autor, há uma contribuição consistente para a área? Enfim, existem muitas questões que ainda não foram levantadas pelos nossos pesquisadores, ou por aqueles que participam de pesquisa e de práticas didáticas, e que merecem ser examinadas cuidadosamente para que nossos trabalhos não fiquem confinados às gavetas de onde deveriam sair para trazer uma contribuição que seja consistente no sentido de ampliar os cânones da área.
Palavras-chave: resultados de pesquisa; musicoterapia; divulgação; publicação.
Autora: Lia Rejane Mendes Barcellos. Doutora em Música - UNIRIO (2009). Mestre em Musicologia - CBM (1999). Bacharel em Musicoterapia - CBM (1975). Bacharel em Piano - (1962). Especialização em Educação Musical (1964). Editora da América do Sul da revista eletrônica Voices. Editora da Revista Pesquisa e Música (CBM). Artigos e livros publicados.

MUSICOTERAPIA E COMA: da Revisão Sistemática do Tema a Elaboração do Projeto de Pesquisa "Mixed Methods" (Quanti-Quali).

A Revisão Sistemática, aplicada neste trabalho, objetivou encontrar trabalhos que respeitassem os seguintes critérios de inclusão: 1) os artigos deveriam tratar o uso da música ou da musicoterapia com indivíduos no estado de coma e 2) os artigos deveriam apresentar pesquisa ou serem estudos pilotos. Buscou-se elaborar uma chamada "síntese baseada em evidência" (evidence-based synthesis) sobre o tema. Para este fim, utilizou-se databases como MEDLINE, CINAHL e PsycINFO entre outras. Após a primeira etapa, Revisão Sistemática, o trabalho apresenta perspectivas presente e futura sobre o tema. Propõem a elaboração de um Projeto de abordagem mista (mixed methods), o que significa abordagem de pesquisa qualitativa e quantitativa propondo a intervenção da musicoterapia no coma. O Projeto é intitulado "O efeito da musicoterapia nos sinais vitais e expressão facial no sujeito no estado de coma - e experiências relatadas por familiares envolvidos no processo de musicoterapia". Foram encontradas e analisadas oito pesquisas. Sete estudos publicados como periódicos científicos e um como dissertação de mestrado. Estes estudos foram conduzidos em diferentes países: Estados Unidos (três estudos), Inglaterra (dois estudos), Brasil (um estudo), Itália (um estudo), e Japão (um estudo). Apresentaram diversidade clínica (também chamada heterogeneidade clínica), variando intervenções e resultados. Da mesma forma variaram em termos de design, caracterizando heterogeneidade metodológica. O aspecto quantitativo do Projeto proposto objetiva análise estatística dos dados pelo software SPSS (versao 15.0). ANOVAs serão ativadas no sentido de testar significância com base nas médias baseline, midpoint e post-test. O aspecto qualitativo objetiva a análise de estudo fenomenológico, realizado com o cuidador do sujeito comatoso.
Palavras-chave: Musicoterapia; Coma; Revisão Sistemática; Pesquisa Mista.
Autor: André Brandalise, Especialista em Musicoterapia (CBM-RJ, 1996). Mestre em Musicoterapia (NYU, 1997). Doutorando em Musicoterapia (Temple, 2010 - ). Supervisor e Professor-assistente da Temple University. Autor de dois livros de Musicoterapia. Trabalhou no Brasil, Estados Unidos, Colombia, Chile, Argentina e Uruguai. Foi membro do CLAM.
Orientadora: Dra Cheryl Dileo.

MUSICOTERAPIA E NEUROCIÊNCIA II

A Música no seu Cérebro: A Ciência de uma Obsessão Humana, livro de Daniel Levitin (2010) - Resenha.
Afora alguns compêndios sobre a neurofisiologia do sistema auditivo e psicoacústica, são poucos livros editados no Brasil que tratam especificamente das relações entre música e cérebro. Podemos destacar nas últimas décadas Jourdain (1998), Straliotto (1998, 2001), e Alucinações Musicais, de Sacks (2007). A Música no seu Cérebro: A Ciência de uma Obsessão Humana, de Daniel Levitin (no original, This is your brain in Music, 2006), ocupa um importante lugar nas neurociências da música. Seu lançamento pela Civilização Brasileira - três anos após a edição portuguesa - possibilitou alcançar um número maior de musicoterapeutas brasileiros. Em se tratando de um músico, engenheiro de estúdio e produtor musical, além de neurocientista, Levitin preconiza o estudo do processamento neurológico por meio do repertório musical cotidiano, enquanto foca a experiência prazerosa e a emoção despertada pelo ato de fazer/escutar música. Assim, seu livro se complementaria com a escuta atenta das músicas comentadas. Ele intencionalmente utiliza uma linguagem simples, evitando jargões excessivamente técnicos. Entretanto, objetivando um maior aprofundamento, esta resenha toma como guia as notas bibliográficas comentadas ao final do livro, buscando, quando possível, o acesso às fontes; e compõe uma intertextualidade com os principais autores citados e com o campo das neurociências da música. Levitin analisa, nos primeiros dois capítulos, o que ele vem postulando como oito parâmetros perceptivos sonoros/musicais, acrescentando a reverberação aos demais: intensidade, altura, contorno, duração, andamento, timbre e localização espacial. Diversos estudos revisados sugerem que estas "dimensões" teriam mecanismos neurocognitivos relativamente autônomos. A combinação entre esses parâmetros e o estabelecimento de relações significativas daria origem a conceitos musicais "mais elevados" como métrica, tonalidade, harmonia e melodia, o que vai ao encontro das teorias modulares defendidas por Peretz e outros. No capítulo III, o autor vem questionar o dualismo descartiano da divisão entre mente e cérebro. Não se vinculando estritamente nem a uma corrente funcionalista nem localizacionista, mapeia o neuroprocessamento musical como uma atividade excêntrica, paralelística e com ampla distribuição, onde o maior potencial de ação está na conectividade da rede neural. Revisa em seguida uma série de questões de interesse ao campo da musicoterapia: em que medida o processamento musical é especializado; quais as possibilidades neuroplásticas provocadas pela música; de que maneira música, emoção, memória, motricidade e linguagem verbal se associam e compartilham circuitos neurais. Conceitos em torno de neurônios-espelho, a hipótese do recurso compartilhado de integração sintática (PATEL, 2003), memória e gestalt, ou a relação semântica-estrutura-expectativa musical são também investigados. Levitin chama a atenção para a não distinção, em exames de neuroimagem, entre escutar ou imaginar música. Esses estudos vêm referendar que a percepção antecipa os passos do "discurso musical" e que a dinâmica entre frustração e atendimento à expectativa musical mobiliza emoção, afetos ou motivação, o que pode ser utilizado tanto no cinema como na musicoterapia. Finalmente, sabendo da importância de uma cultura de busca de fontes primárias, serão demonstradas as vantagens da utilização de softwares bibliográficos como o Endnote e o Zotero, em associação com o banco de dados on-line Citeulike, para compartilhamento desta e outras pesquisas.
Palavras-Chave: Música; Cérebro; Musicoterapia; Citeulike
Autor: Leonardo Campos Mendes da Cunha. Mestre em Etnomusicologia (Escola de Música da Universidade Federal da Bahia - UFBA, 2008); Graduado em Musicoterapia (Universidade Católica de Salvador, 2000); Graduado em Psicologia (UFBA, 2000); Pesquisador convidado do LEME - Laboratório de Estudos em Movimentos Étnicos; Presidente da Associação Baiana de Musicoterapia.

A musicoterapia como um instrumento da enfermagem: uma pesquisa bibliográfica.

Este trabalho se propõe a apresentar uma pesquisa bibliográfica que teve por objetivo fazer um diagnóstico do Estado da Arte da utilização da "musicoterapia" por profissionais da enfermagem, destacando-se uma discussão sobre a forma de como a música é utilizada na prática de cuidar e sobre a nomenclatura utilizada. Foi feita uma revisão de 26 artigos de "musicoterapia" e enfermagem sendo 20 publicados no Banco de Dados de Enfermagem (BDENF) da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), quatro em periódicos nacionais de enfermagem, um em um site de busca (Webartigos.com) e um, apresentado em um congresso de enfermagem, todos escritos basicamente por enfermeiros. Metodologia: Todos os textos foram analisados segundo uma abordagem qualitativa, à luz do referencial metodológico da Análise de Conteúdo (BARDIN, 2009). Os resultados encontrados referem-se à utilização da música pela enfermagem em diversas áreas do cuidado: no processo de cuidar de clientes com síndromes neurológicas decorrentes da AIDS, no cuidado de mulheres com fibromialgia, no processo de humanização em CTI, no auxilio ao tratamento da dor crônica e como facilitadora da comunicação/relação entre enfermeiro-cliente. Constata-se que apesar dos avanços da musicoterapia, os estudos analisados demonstram que raramente se faz a diferença existente entre a utilização da música e da musicoterapia em áreas da medicina e, consequentemente, da enfermagem. Ainda se verifica que a musicoterapia necessita ter maior divulgação e que esta deve ser de forma mais consistente, apontando as suas ações terapêuticas e a cientificidade de seus métodos através de dados com maior consistência.
Palavras-chave: Música, Musicoterapia, Enfermagem, Pesquisa.
Autores: Gunnar Glauco De Cunto Taets. Mestre em Enfermagem - UNIRIO (2009). Aluno especial do Doutorado em Enfermagem - UFRJ. Experiencia profissional em Canto Coral, Técnica Vocal, Enfermagem em Terapia Intensiva, Estomaterapia e Home Care. Especialista em Estomaterapia - UERJ. MBA em Pedagogia e Psicopedagogia Empresarial - ESAB. Aluno do curso de Pós-Graduação em Musicoterapia do CBM-CEU.
Lia Rejane Mendes Barcellos. Doutora em Música - UNIRIO (2009). Mestre em Musicologia - CBM (1999). Bacharel em Musicoterapia - CBM (1975). Bacharel em Piano - (1962). Especialização em Educação Musical (1964). Editora da América do Sul da revista eletrônica Voices. Editora da Revista Pesquisa e Música (CBM). Artigos e livros publicados.

Banco de Dados Brasileiro sobre Musicoterapia com Crianças.

Temos verificado nas últimas décadas um crescimento exponencial de publicações em língua portuguesa na área da musicoterapia, de modo que, muitos profissionais e estudantes têm dificuldade de acompanhar o que está sendo produzido nos vários campos de atuação do musicoterapeuta. Vivemos uma situação paradoxal e delicada pois ao mesmo tempo em que, graças aos recursos tecnológicos, o acesso a informações pode ser mais rápido e mais abrangente, ele não necessariamente é mais organizado e, menos ainda, mais produtivo, uma vez que a quantidade de informações de qualidade duvidosa disponíveis na rede mundial de computadores, por exemplo, é muito grande. Neste panorama, é importante salientar a publicações em livros e em revistas científicas como aquelas de maior credibilidade. Esta pesquisa, em andamento, propõe a criação de um banco de dados sobre publicações em língua portuguesa de musicoterapeutas brasileiros sobre trabalhos teóricos e/ou práticos com crianças. No primeiro semestre de 2010, está sendo realizada a fase de levantamento inicial de dados, ou seja, a criação de uma lista de publicações sobre o tema a partir levantamentos em bibliotecas de universidades, em sites de buscas e em banco de dados científicos como Medline, Scielo, Cochrane, entre outros. Para o levantamento inicial de livros e artigos na internet e nos banco de dados de revistas científicas estão sendo utilizados parâmetros de buscas como "musicoterapia", "música", "criança", "saúde", "infância", entre outros, sendo posteriormente feita uma filtragem a partir da leitura dos textos e/ou resumos. No segundo semestre de 2010, dar-se-á início à leitura, estudo e parametrização dos textos selecionados de modo a não somente criar uma lista de publicações, mas principalmente, formar um banco de dados a ser disponibilizado na internet que possa rapidamente informar sobre aspectos como áreas de prática clínica, patologias tratadas, abordagens teóricas e/ou modelos clínicos utilizados etc. Pretende-se com este banco de dados favorecer o ensino, a pesquisa e a prática clínica em musicoterapia por meio de acesso à informações que atualmente se encontram esparsas e, em especial, subsidiar a construção de um perfil do trabalho musicoterapêutico realizado com crianças no Brasil.
Palavras-chave: Musicoterapia, Crianças, Banco de Dados.
Autores: Renato Tocantins Sampaio (coordenador). Mestre em Comunicação e Semiótica, Licenciado em Educação Artística, Bacharel em Musicoterapia. Professor Assistente da UFMG. Autor de livros e artigos sobre Musicoterapia, Educação Musical e Arte-Educação. Ex-presidente da APEMESP e do Comitê Latino-Americano de Musicoterapia.
Ana Cristina Parente Sampaio (pesquisadora). Especialista em Psicopedagogia, Licenciada em Pedagogia, Bacharel em Musicoterapia. Musicoterapeuta Clínica com experiência em consultório particular, hospitais, clínicas e escolas de educação especial. Co-autora do livro "Apontamentos em Musicoterapia", publicado pela Apontamentos Editora (2005).
Lia Rejane Mendes Barcellos (supervisora). Doutora e Mestre em Música. Bacharel em Piano e em Musicoterapia. Professora Titular no Conservatório Brasileiro de Música - Centro Universitário. Editora e parecerista em revistas científicas nacionais e internacionais. Autora de livros e artigos publicados no Brasil e no exterior.

Proposta de um quadro referencial audiomusicoverbal do desenvolvimento neuropsicomotor da criança de 0 a 5 anos para a prática musicoterapeutica.

Proposta de um quadro referencial audiomusicoverbal do desenvolvimento neuropsicomotor da criança de 0 a 5 anos para a prática musicoterapeutica.
O objetivo do presente trabalho foi a elaboração do quadro para observação do desenvolvimento Neuropsicomotor, referente especificamente aos aspectos Audiomusicoverbal, que pudesse ser utilizado como instrumento de análise objetiva das realizações observadas em crianças, possibilitando assim, a localização e acompanhamento das mesmas nesse processo evolutivo. Direcionado principalmente para crianças em tratamento terapêutico. O quadro para Observação do Desenvolvimento Audiomusicoverbal foi elaborado com base na literatura a respeito dos indicadores que caracterizam os estágios iniciais do desenvolvimento nos campos da: neurologia (Denver, Flehmig, HadnigLenneberg, Ladinig, Oziller, Winkler, Peretz e outros), educação musical (Beyer, Ilari, Parizzi, Swanwick, Tilman), musicoterapia (Bruscia, Federico e outros) , fonoaudiologia (Azevedo, Costa e Cols; Northrn & Downs) e terapia ocupacional (David Werner), somados com a experiência prática de três décadas de atuação profissional em educação musical na referida faixa etária. O quadro está sendo aplicado em crianças (N=88) com desenvolvimento típico (educação) e atípico (centro de reabilitação física) para verificação. O quadro é constituído de nove itens descrevendo o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) em seus aspectos audiomusicoverbal (AMV) de criança sem atrasos. O quadro apresenta inicialmente as idades de um, três, seis, nove e doze meses e na segunda etapa o desenvolvimento até os dois, três, quatro e cinco anos. Ao ser utilizado em crianças com atraso em tratamento terapêutico, pode localizar a etapa atual e acompanhar a evolução no tratamento futuro. O quadro AMV de Musicoterapia é uma proposta de sistematização da observação referentes ao DNPM durante o período de tratamento multidisciplinar da criança até cinco anos dentro do setor de musicoterapia. A aplicação está sendo realizada e avaliada ao longo de nove meses deste ano de dois mil e dez com crianças típicas e atípicas em processo normal de educação musical e de musicoterapia. Desta forma, podemos concluir que a criação deste material prático auxilia de forma concreta o trabalho de profissionais da área proporcionando um melhor acompanhamento de cada paciente e uma melhor compreensão da evolução do tratamento por parte da equipe multidisciplinar.
Palavras-chave: quadro referencial, desenvolvimento audiomusicoverbal e neuropsicomotor, musicoterapia.
Autora: Nydia Cabral Coutinho do Rego Monteiro. Especialista em Musicoterapia (Conservatório Brasileiro de Música, 1998); Musicoterapeuta do CEIR (Centro de Reabilitação Física); da Rede Feminina de Combate ao Cancer-Hospital; Consultório com clientela neurológica; Co-autora do projeto de Especialização em Musicoterapia pela UFPI. Presidente da Associação de Musicoterapia do Piauí. Homenageada pela Ordem dos Músicos por Mérito profissional (2009).