O Theremin, inventado pelo russo Lev Sergeyevich Termen, em 1919, é considerado um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos. Foi lançado na Europa, mas foi nos Estados Unidos, nos anos 20 e 30 que o Theremin teve seu período glamoroso, culminando em apresentações no Carnegie Hall. Neste mesmo período, o Theremin ganhou espaço no cinema, na produção de efeitos especiais em filmes de ficção científica, com destaque para a obra de Robert Wise, "O dia em que a Terra parou", dentre outros. Mais tarde, nos anos 60 e 70, o Theremin reaparece no Rock'N'Roll, inclusive no Brasil, em performances do grupo "Os Mutantes". Na atualidade, o Theremin é encontrado na música experimental. O grupo mineiro Pato Fu, inclui performances de Theremin na música "Eu"; no vídeo-clip do mesmo tema, a introdução, faz apologia a Lev Termen.
O Theremin é um instrumento musical que se toca sem que seja necessário tocá-lo fisicamente. É constituído por um gabinete onde embarca circuitos eletrônicos; sobre o gabinete, são conectadas duas antenas: uma circular e outra telescópica. A antena telescópica emana um campo eletromagnético que quando alterado com a aproximação das mãos ou qualquer parte do corpo, gera uma sonoridade, proporcional e linear ao gesto realizado.
O Theremin é originalmente mono-timbral e com o uso da tecnologia digital, podemos estender ainda mais suas facilidades tornando-o multi-timbral. Na área da execução, podemos ajustar a resolução do campo de toque, ou seja, gerar mais ou menos notas musicais com base em um mesmo deslocamento gestual; adicionalmente, programar escalas, tais como: cromática, diatônica, pentatônica, e outras, de tal forma que, um mesmo gesto produza distintas evoluções, dependendo da escala previamente especificada.
A interface não-tátil e aérea do Theremin proporciona, potencialmente, possibilidades para a implementação de técnicas musicoterapêuticas onde as adaptações e órteses não dão conta. Por conseguinte, valoriza o gesto; seja o gesto simples, meio pelo qual o ser humano se expressa usando seu corpo; gesto musical, movimentos corporais (físicos ou mentais) relacionados com a música (Wikipedia). Em alguns escritos, a musicoterapeuta Leomara Craveiro de Sá menciona: "gesto como produção de interação", "gesto como produção de comunicação" e "gesto como índice".
A atuação da pesquisa científica em tecnologia musical para explorar novos caminhos e possibilidades, têm sido significativa como podemos constatar em: NIME (International Conference on "New Interfaces for Musical Expression"); International Conference on "Music Technology: Solutions to Challenges"; a "Da Vince Awards", inovações em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia assistiva, premiou recentemente (2010) uma solução baseada em computador, software e conceitos de realidade aumentada, denominada "VMI" (Virtual Music Instrument) que permite acionar sons e música por meio de gestos. Encontramos empresas que desenvolvem dispositivos baseados em tecnologia musical, com destaque para a MIDIcreator e Soundbeam, ambas inglesas.
O Theremin propõe questões epistemológicas desafiantes, pois coloca em "check" padrões convencionais, como, a relação do timbre com a fonte sonora. No Theremin MIDI, por exemplo, é possível, com o gesto, acionar notas de piano. A perspectiva analisada propõe o deslocamento da tatilidade para um campo mais subjetivo. O aspecto timbral é afetado, pois ocorre também o deslocamento da dependência com a fonte sonora. Abre-se aí, um campo para o gestual imaginativo, não tangível e invisível. O deslocamento da tatilidade para a subjetividade, proporciona um aumento nas possibilidades procedurais e pode enriquecer as abordagens musicoterapêuticas. Além de constatar um novo tipo de "fazer musical", demanda a necessidade de geração de novos parâmetros para balizar modelos de habilidade musical de pacientes.
Palavras-Chave: Musicoterapia, Theremin, MIDI, Gestualidade, Tatilidade, Música Adaptativa, Tecnologia Musical, Tecnologia Assistiva, Acessibilidade.O Theremin é um instrumento musical que se toca sem que seja necessário tocá-lo fisicamente. É constituído por um gabinete onde embarca circuitos eletrônicos; sobre o gabinete, são conectadas duas antenas: uma circular e outra telescópica. A antena telescópica emana um campo eletromagnético que quando alterado com a aproximação das mãos ou qualquer parte do corpo, gera uma sonoridade, proporcional e linear ao gesto realizado.
O Theremin é originalmente mono-timbral e com o uso da tecnologia digital, podemos estender ainda mais suas facilidades tornando-o multi-timbral. Na área da execução, podemos ajustar a resolução do campo de toque, ou seja, gerar mais ou menos notas musicais com base em um mesmo deslocamento gestual; adicionalmente, programar escalas, tais como: cromática, diatônica, pentatônica, e outras, de tal forma que, um mesmo gesto produza distintas evoluções, dependendo da escala previamente especificada.
A interface não-tátil e aérea do Theremin proporciona, potencialmente, possibilidades para a implementação de técnicas musicoterapêuticas onde as adaptações e órteses não dão conta. Por conseguinte, valoriza o gesto; seja o gesto simples, meio pelo qual o ser humano se expressa usando seu corpo; gesto musical, movimentos corporais (físicos ou mentais) relacionados com a música (Wikipedia). Em alguns escritos, a musicoterapeuta Leomara Craveiro de Sá menciona: "gesto como produção de interação", "gesto como produção de comunicação" e "gesto como índice".
A atuação da pesquisa científica em tecnologia musical para explorar novos caminhos e possibilidades, têm sido significativa como podemos constatar em: NIME (International Conference on "New Interfaces for Musical Expression"); International Conference on "Music Technology: Solutions to Challenges"; a "Da Vince Awards", inovações em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia assistiva, premiou recentemente (2010) uma solução baseada em computador, software e conceitos de realidade aumentada, denominada "VMI" (Virtual Music Instrument) que permite acionar sons e música por meio de gestos. Encontramos empresas que desenvolvem dispositivos baseados em tecnologia musical, com destaque para a MIDIcreator e Soundbeam, ambas inglesas.
O Theremin propõe questões epistemológicas desafiantes, pois coloca em "check" padrões convencionais, como, a relação do timbre com a fonte sonora. No Theremin MIDI, por exemplo, é possível, com o gesto, acionar notas de piano. A perspectiva analisada propõe o deslocamento da tatilidade para um campo mais subjetivo. O aspecto timbral é afetado, pois ocorre também o deslocamento da dependência com a fonte sonora. Abre-se aí, um campo para o gestual imaginativo, não tangível e invisível. O deslocamento da tatilidade para a subjetividade, proporciona um aumento nas possibilidades procedurais e pode enriquecer as abordagens musicoterapêuticas. Além de constatar um novo tipo de "fazer musical", demanda a necessidade de geração de novos parâmetros para balizar modelos de habilidade musical de pacientes.
Autor: Paulo Roberto Suzuki. Especialista em Musicoterapia pelo Centro Universitário FMU (2008), cursou Musicoterapia na Faculdade Paulista de Artes (2001-2006); graduado em Computação pela Universidade Mackenzie. Sócio-Diretor da EMIND Atividades Integrativas Ltda. Mais de 25 anos no ensino superior como professor, coordenador de cursos e departamentos; consultor em tecnologia da informação; músico multi-instrumentista; facilitador de rodas de tambores (HealthRhythms e Village Music Circles). APEMESP#296, voluntário da SWPS, Seattle World Percussion Society, criador do movimento "Roda de Tambores Brasil".