O presente trabalho visa relacionar, através de estudos teóricos, os conceitos de morte e espiritualidade na velhice e, a partir destas relações, apresentar propostas musicoterapêuticas no âmbito intra e interpessoal. A pesquisa realizada é de natureza bibliográfica na qual as fontes de estudo são textos relacionados com a teoria do desenvolvimento de Erik Erikson (1902-1994) e as recentes pesquisas e estudos no campo da tanatologia (CASSORLA, 1998, KÜBLER-ROSS, 2005) e musicoterapia (BARCELLOS, SOUZA, ZANINI). Em sua teoria do desenvolvimento, Erikson (1982) fala das crises vivenciadas ao longo o ciclo vital, e cita o medo da morte como a última crise vivenciada pelo ser humano. Nesse contexto, o sujeito idoso - que vivencia a finitude - enfrenta seu último conflito: integridade versus desespero. Segundo o autor, quando o sujeito sente-se realizado com a vida que construiu, elabora a própria existência positivamente e experimenta a sensação de dever cumprido. Por outro lado, a pessoa pode refletir sobre a vida e fazer um balanço negativo, sente-se desesperançada e elabora a morte como aterrorizante (BRAGA, 2010). A morte iminente traz sensação de que nada mais pode ser realizado, e a pessoa mergulha em melancolia e tristeza por sua velhice (RABELO, 2008). Silva (2007) vê na espiritualidade o caminho possível para a aceitação e a conscientização das limitações, mas também dos potenciais. Assim, o indivíduo que vivencia a espiritualidade é capaz de enxergar além de si, percebe-se na "família humana", ou seja, conscientiza-se de que o existir transcende a matéria (corpo) e a linha do tempo, a qual delimita o nascimento e a morte (SILVA, 2007). Ao utilizar-se dos atributos polissêmicos da música, a musicoterapia promove a abertura de novos caminhos, ampliando os horizontes expressivos do paciente permitindo-o atingir assim, um novo patamar de integridade, integração e inteireza. (BARCELLOS 1996). A música, portanto, possibilita ao indivíduo aprofundar-se em medos, anseios e desejos. A percepção de si traz tanto experiências prazerosas como dolorosas e, muitas vezes, difíceis de elaborar. Por meio de técnicas e recursos da Musicoterapia é possível ir além de atividades recreativas (para animar e alegrar), e alcançar o campo da produção musical como expressão do humano que desafia e supera os seus medos, sonorizando a vida no seu processo cíclico. Assim como na vida temos momentos de tensão e repouso, perguntas e respostas, conflitos e resoluções, vêem-se nas estruturas musicais certas semelhanças a padrões dinâmicos da experiência humana. Ao produzir e escutar a música da vida convoca-se a espiritualidade na sua função de gerar a sabedoria para viver a finitude, aceitando os limites da vida, ao mesmo tempo em que o existir ganha um sentido de pertença a uma história mais ampla, mantendo assim o senso de integridade.
Palavras chave: envelhecimento, morte, espiritualidade, musicoterapia.Autoras: Roberta Soares de Barros Florencio. Musicoterapeuta graduada pela Faculdade Est São Leopoldo (2008), pós graduanda em Psicopedagogia pela Gama Filho; Musicoterapeuta clínica na Apae Tatuí, atendimento autistas: artigos publicados na área do estresse, estruturas musicais e esquizofrenia.
Flávia de Barros Nogueira. Graduanda do 7º semestre do curso de Musicoterapia na Faculdade Paulista de Artes. Iniciou os estudos musicais no Conservatório Musical Drº Carlos de Campos, Tatuí, SP. Professora de piano, canto e musicalização na cidade de Osasco.
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