sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cores, Sons, Self: uma proposta arteterapêutica para o "Projeto Incluir" da Associação Baiana de Pessoas com Deficiência.

A arteterapia pode beneficiar imensamente a criança, adolescente ou adulto com deficiência, contribuindo para sua adaptação à sociedade, já que os processos artísticos podem melhorar a sensação de bem-estar emocional do indivíduo, desenvolver habilidades cognitivas e facilitar as interações sociais. Além disso, o processo arteterapêutico e o conteúdo artístico dele resultante podem revelar problemas de foco de atenção, controle motor, memória, controle das emoções, organização, sequenciamento de idéias e capacidade de tomar decisões. Apesar de suas deficiências muitas vezes não lhes permitirem uma reflexão sobre as experiências e as produções realizadas nas sessões de arteterapia, não os impedem de, a partir delas, descobrir novas maneiras de viver, possibilitadas pelas atividades lúdicas propostas e pela catarse delas resultante. Este artigo apresenta uma intervenção em arteterapia realizada no "Projeto Incluir" da Associação Baiana de Pessoas com Deficiência, no primeiro semestre de 2010, como estágio para uma Especialização em Arteterapia no Instituto Junguiano da Bahia, sob supervisão da psicóloga e arteterapeuta Carla Maciel. O estágio foi realizado com quatro grupos de pessoas com deficiência no período compreendido entre março e junho de 2010, em encontros semanais de setenta e cinco minutos. Os grupos atendiam a crianças e adultos cujas idades variavam entre 3 e 52 anos, com diagnósticos variados (retardo, autismo, paralisia cerebral, problemas neurológicos, esquizofrenia, síndrome de Down e epilepsia). O objetivo principal da proposta foi incentivar a capacidade de autodeterminação do indivíduo com deficiência por meio da estimulação física, social e sensorial. Para isso, foram utilizadas atividades de desenho, colagem, pintura, expressão corporal e música, a depender do objetivo da sessão. O referencial teórico fundamentou-se em Jung, Philippini, Urrutigaray e Malchiodi. Técnicas terapêuticas em música, apesar de terem sido utilizadas em todos os grupos, foram prioritárias no grupo com idade entre 3-6 anos, constituído por crianças portadoras de síndrome do espectro autista. Essas crianças revelaram prontidão para as atividades com música e movimento, fato comum entre os autistas. O artigo delineia o estágio e foca especificamente nas intervenções com a utilização de música, fundamentadas em Bruscia, Cypret, Hurt-Thaut, Phipps e Watson.
Palavras-chave: arteterapia; pessoas com deficiência; técnicas terapêuticas em música.
Autora: Diana Santiago. Doutorado em Música (2002, UFBA); Mestrado em Música (1988, Eastman School of Music, EUA); Graduação em Instrumento (1984, UFBA). Professor Adjunto IV/ UFBA. Pesquisador do CNPq. Tesoureira da ANPPOM (1991-1995); Segundo-Secretário da ABEM (1993-1995); Vice-Presidente da Associação Brasileira de Cognição e Artes Musicais (2006-2010).

Nenhum comentário:

Postar um comentário