sexta-feira, 27 de maio de 2011

Musicoterapia e Ciências Cognitivas: possíveis relações entre os processos de pensamento e os processos musicais.

Como a Musicoterapia é uma prática artística inserida no domínio da saúde fazem-se necessários entendimentos sobre o alcance da experiência musical no ser humano. Musicoterapia neste trabalho envolve musicalidade e contexto, e deste modo se está em contato com ambientes inerentemente complexos: as experiências humanas e as experiências musicais, ou também, como apresenta Smeijsters (1999), os processos musicais e os processos psíquicos. Os sentidos da experiência musicoterapêutica para o cliente/paciente emergem inevitavelmente desses domínios processuais. Para o musicoterapeuta, a escuta destes sentidos e consequente construção do processo terapêutico necessita de embasamentos teóricos que integrem esses campos da música e da mente. As possibilidades de integração música e mente, na musicoterapia, são muito significativas, pois constroem bases científicas de sustentação para o uso clínico da música. Alguns trabalhos envolvem campos de representações tanto na semiótica como na semiologia e desenvolvem estudos considerando pensamentos sobre analogias e metáforas para falar de uma coisa pela outra. Seus fundamentos envolvem os campos da Teoria da Música, Filosofia da Música, Musicologia, Etnomusicologia e Psicologia Sócio-histórica. O foco do presente estudo são as construções embasadas na Teoria da Música que se aproximam do campo das Ciências Cognitivas da mente corporificada, por abrirem verticalmente alguns entendimentos teóricos na Musicoterapia. Esses conhecimentos da Teoria da Música e Musicologia embasam-se em estágios pré-verbais das experiências de escuta e execução musical que estão na base das ações sonoro-musicais / sensório-motoras e da fala no âmbito da comunicação. Uma abordagem cognitiva corporificada não considera o âmbito da representação. Não existe algo na vida das pessoas que possa ser representado na música. Quando o corpo e as experiências vividas são admitidos como formadores de sentidos mais que as reflexões verbais destas experiências, significar-fazendo é importante para musicoterapia. As possíveis relações estabelecidas nessa rede complexa de processos musicais e de pensamento, descritos em publicações científicas, são o objeto dessa pesquisa. O objetivo geral: estudar as relações entre os processos de pensamento e os processos musicais presentes na literatura específica com fundamentos na Ciência Cognitiva da Mente Corporificada descrita na Teoria da Metáfora de Lakoff e Johnson. E específicos: estudar o trabalho filosófico de Zuckerkandl que integra homem e música com bases não positivistas; o uso da Teoria da Metáfora aplicada à Música e à Musicoterapia. Como metodologia desenvolve-se uma Pesquisa Bibliográfica. As reflexões a partir das obras de Zuckerkandl (Filosofia da Música), Aigen (Musicoterapia Músico-Centrada) e Lakoff e Johnson (Teoria da Metáfora) apresentam possibilidades de relações entre os processos. Os resultados parciais apontam para os aspectos musicais presentes e geradores do sentido musical. A mente humana é capaz de escutar uma sequencia de sons como música à medida que esta sequencia tem sentido musical ao ouvinte. Segundo Nogueira (2009), esse sentido musical é pré-verbal. O fator da música ser capaz de produzir este fenômeno é descrito por Zuckerkandl como: 'qualidades dinâmicas da nota'. Qual o papel dessas 'qualidades dinâmicas da nota' na construção de uma sequencia de notas como música? A continuidade dos estudos levará a hipóteses para essa e outras questões.
Palavras-chave: Musicoterapia; Teoria das Metáforas; Qualidades Dinâmicas da Nota;
Autora: Clara Márcia de Freitas Piazzetta. Mestre em Música/Musicoterapia (UFG, 2006); Graduada em Musicoterapia (FAP-PR, 1988); Docente do Colegiado de Musicoterapia - Faculdade de Artes do Paraná; integrante dos grupos de Pesquisa NEPIM/FAP-CNPq e NEPAM/UFG-CNPq; Musicoterapeuta clínica.

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