sexta-feira, 27 de maio de 2011

Vivências Musicais na área hospitalar: Uma abordagem em educação musical sob a perspectiva humanista.

A abordagem humanista pode ser um corpo teórico importante para compreensão do fazer musical da criança em situação de internamento médico. Na perspectiva humanista-existencial, as manifestações do homem têm um caráter próprio onde a intencionalidade da consciência se manifesta na forma de uma totalidade em movimento, enfatizando seu aspecto criativo. Segundo Amatuzzi, em Uma psicologia Humana, o "homem aparece como pessoa atual e com abertura para algo outro, onde corpo e alma são indissociáveis (...) é a busca, criação, atribuição e comunicação do sentido; o homem desafiado no presente em relação ao sentido de sua vida." (2009, p.22). A criança em ambiente hospitalar passa por diversos procedimentos físicos e médicos, muitos deles ligados à dor. Nesse contexto, a ansiedade e tensão da criança e de seus familiares aparecem sinalizadas de várias formas. "Toda essa vivência constrói na criança processos psíquicos onde sensações e a percepção do ambiente e contexto configuram experiências de consciência específicas" (OLIVEIRA, 2009). O trabalho vai abordar observações feitas em atividades de educação musical realizadas por alunos de graduação em Música da UFPR - coordenados por uma musicoterapeuta - nas brinquedotecas de um hospital infantil em Curitiba. Foram observadas um total de cinco aulas ministradas semanalmente no período de março a junho deste ano. A coleta de informações sobre essa prática musical com as crianças se dá através de fichas de controle onde são relatadas as experiências de interação musical das crianças, materiais e recursos utilizados, bem como planos de aula e dados de identificação dos participantes. De acordo com registro em diário de campo e relatório de observações, destacam-se como aspectos relevantes a relação tempo versus interação musical, a forma como a afetividade da criança e de seus familiares aparecem positivamente e as possibilidades de significação do espaço hospitalar como espaço de aprendizado musical através de mecanismos lúdicos e sonoros. Toda essa prática, amparada na abordagem humanista, estabelece terrenos epistemológicos comuns com a musicoterapia, buscando nesta subsídios que permeiam a prática do educador musical. Esse estabelecimento de relação pode ser exemplificado com a prática de uma observação mais criteriosa e dirigida por parte do educador, ou mesmo o uso do objeto integrador: "seringas transformadas em chocalhos". Estes chocalhos acabam por traçar um elo sonoro-gestual entre a criança, o familiar, a música e professor. Utilizados ainda como um recurso pedagógico-musical, possibilitam a re-significação do "objeto médico", transpondo-o para universo sonoro-musical. A atividade, apesar de seu caráter lúdico-pedagógico-musical, oferece importantes reflexões sobre a experiência musical da criança internada e traça pontos de encontro importantes para desenvolvimento das áreas de educação musical e musicoterapia. Em Musicoterapia na Humanização, Marly Chagas cita que "o uso de canções pode contribuir ao oferecer aos pacientes significados existenciais que os auxiliam e fortalecem, também servindo como instrumento para atitudes de enfrentamento em relação à doença" (PINTO, 2005, p.1307).
Palavras-chave: experiência musical, criança hospitalizada, musicalização.
Autora: Bárbara Trelha Oliveira. Musicoterapeuta (2004); Graduanda Musica UFPR (2010); Instrutora canto coral-PR ; Oficina de música- APAE-Antonina UFPR; Comunicação I Congresso Sul-Brasileiro Fenomenologia UFPR ; I Encontro psicologia Humanista SC ; Estréia: Peça contemporânea no ENCUN -BH-MG ; Composição:Cd/Cancioneiro do Brasil/ HPP.

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