Entende-se que num evento que se propõe a refletir sobre a pesquisa em musicoterapia no país cabe não só a apresentação e debate sobre as pesquisas realizadas, mas, também, a discussão de aspectos que possam facilitar o crescimento desta atividade para uma efetiva contribuição para o desenvolvimento da área. A pesquisa em musicoterapia no Brasil tem trilhado um caminho bastante difícil: desde a inexistência ou pequena produção, até a criação de estratégias para levar os musicoterapeutas a se mobilizarem para este tipo de atividade. Os musicoterapeutas sempre se referiram às dificuldades enfrentadas: falta de formação suficiente; falta de apoio institucional e de ajuda financeira dos órgãos de fomento. Enfim, estas foram e ainda são, dentre tantas outras, as principais queixas e, muitas vezes, a justificativa para que não dispendamos esforços para fazer pesquisa. A realização de uma pesquisa exige um investimento de energia, tanto física quanto mental; um tempo considerável para um levantamento de bibliografia que é, sempre, exaustivo; uma disponiblidade para reuniões com orientadores, consultores, pares e, às vezes, alunos, além do estudo necessário. Compra de livros, buscas em sites, escolha de temas, metodologia, estratégias, enfim, tudo que envolve a realização de uma atividade complexa. No entanto, quando terminada a pesquisa surge uma questão importante: como vou apresentar os resultados para que a pesquisa possa ser replicada caso haja interesse? Como vou democratizar esses dados? Há interesse de outros musicoterapeutas em nosso país pelo que fazem nossos pares? Há suficiente utilização de resultados de pesquisas de outros autores? Sem que estes resultados sejam conhecidos/empregados por outros musicoterapeutas podem vir a contribuir para o desenvolvimento do campo? É possível que estes dados possam contribuir para o desenvolvimento da musicoterapia quando unicamente utilizados pelo autor da mesma? Como damos possibilidades de que outros tenham acesso aos nossos trabalhos de pesquisa? Quando só utilizados na prática clínica, didática ou, ainda, no corpo teórico, pelo próprio autor, há uma contribuição consistente para a área? Enfim, existem muitas questões que ainda não foram levantadas pelos nossos pesquisadores, ou por aqueles que participam de pesquisa e de práticas didáticas, e que merecem ser examinadas cuidadosamente para que nossos trabalhos não fiquem confinados às gavetas de onde deveriam sair para trazer uma contribuição que seja consistente no sentido de ampliar os cânones da área.
Palavras-chave: resultados de pesquisa; musicoterapia; divulgação; publicação.Autora: Lia Rejane Mendes Barcellos. Doutora em Música - UNIRIO (2009). Mestre em Musicologia - CBM (1999). Bacharel em Musicoterapia - CBM (1975). Bacharel em Piano - (1962). Especialização em Educação Musical (1964). Editora da América do Sul da revista eletrônica Voices. Editora da Revista Pesquisa e Música (CBM). Artigos e livros publicados.
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