sexta-feira, 27 de maio de 2011

Musicoterapia e psicose: Estudo de caso sobre as contribuições da linguagem musical no discurso e laços sociais de um esquizofrênico.

O trabalho propõe apresentar a proposição de elaboração de um projeto de pesquisa a ser desenvolvido como pré-requisito para a conclusão do curso de graduação em musicoterapia. O projeto apresenta a realização de uma pesquisa de campo, de caráter qualitativo e cunho exploratório, propondo interfaces entre as áreas de Musicoterapia e Psicanálise. Trata-se de um projeto de pesquisa a ser desenvolvido como requisito para a conclusão do curso de graduação em Musicoterapia da Universidade Federal de Goiás. Será realizado um estudo de caso com um paciente esquizofrênico do Centro de Saúde - Parque Atheneu com o objetivo principal de investigar como a Musicoterapia, por meio da linguagem musical e dos instrumentos musicais, pode contribuir em seu discurso e laços sociais. O projeto passa atualmente pela avaliação da Secretaria Municipal de Saúde do estado de Goiás, sendo encaminhado em seguida para a Comissão de Pesquisa da Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC) da UFG, e por fim, será enviado para a aprovação do Comitê de Ética da UFG. O indivíduo esquizofrênico tem em sua imagem corporal uma deficiência que gera uma dificuldade entre seus sentimentos e suas expressões. Sua postura corporal, a tonicidade muscular, olhares, a perda da espontaneidade gestual, da harmonia e da graça dos movimentos mostram rigidez e tensão (COSTA, 2009). Deutsch (1968 apud QUINET, 2006) afirma que a relação emocional do indivíduo esquizofrênico com o mundo externo e com o seu próprio eu parece estar empobrecida ou ausente. O musicoterapeuta oferece através de diferentes recursos musicais uma ampliação das possibilidades expressivas do paciente, movendo-o das formas constantes e estereotipadas. O processo musicoterapêutico é um movimento espiralar com centro na música, que se constitui como um trinômio - ação/relação/comunicação interligado e percebido a partir da ação musical. O "prazer de ouvir" segundo Costa (idem), leva o esquizofrênico a ter a percepção de que existe algo exterior que propicia prazer - a música. Dessa forma, justifica-se a relevância deste trabalho por pretender uma reflexão sobre a prática clínica musicoterapêutica fundamentada na teoria psicanalítica, a qual pode oferecer uma rica compreensão dos acontecimentos no setting musicoterapêutico. Acredita-se que a utilização da música e seus efeitos no desenvolvimento de um processo terapêutico com indivíduo esquizofrênico, podem possibilitar novos caminhos na construção de seus sentidos, significados, assim também como seu discurso e seus laços sociais. Pretende-se com este trabalho contribuir para a bibliografia da área de Musicoterapia e áreas correlatas.
Palavras-chave: Musicoterapia; Psicanálise; Esquizofrenia.
Autoras: Fabiane Noleto Siqueira. Graduanda do 7ª período do Curso de Bacharelado em Musicoterapia - Universidade Federal de Goiás; Membro do Grupo de Estudo em Psicanálise sobre psicoses, Universidade Católica de Goiás.
Fernanda Valentin. Graduada em Musicoterapia e Mestre em Música pela UFG. Atualmente é professora, supervisora e orientadora no Curso de Bacharelado em Musicoterapia da Escola de Música e Artes Cênicas, UFG. Membro do NEPAM - Núcleo de Estudo, Pesquisa e Atendimento em Musicoterapia.

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