Roda de Tambores (RT) é uma prática em grupo, onde pessoas, sem distinção de raça, credo, ou classe social, tocam tambores e outros instrumentos musicais de percussão, com o propósito comum de fazer música juntos, momentânea e espontaneamente; não é exigido dos participantes qualquer conhecimento musical prévio, tampouco saber tocar instrumentos musicais.
Arthur Hull em "Drum Circle Spirit - Facilitating Human Potential Through Rhythm" (1988), diz que "uma roda de tambores é um grupo integralmente participativo compartilhando experiências rítmicas e musicais; essas experiências resultam em harmonia, camaradagem e sentimentos de bem estar entre os participantes". RT não é prática de conjunto; não há ensaios; o objetivo não é a performance por isso, não existe platéia - todos participam. Christine Stevens, musicoterapeuta e facilitadora de RT, em "The Art and Heart of Drum Circles" (2003), classifica esta prática como sendo uma forma de RMM (Recreational Music Making) - podendo ser entendida como uma forma de aprendizagem musical não estruturada que ocorre em ambientes não-estressantes. Neste caso, o termo "recreação", provém do latim "recreatio", que por sua vez, deriva do vocábulo "recreare", cujo sentido é de: reproduzir, restabelecer ou recuperar; e no caso das RTs, está no contexto de: restabelecer as energias, a saúde, a motivação.
Friedman em "The Healing Power of the Drum" (2000) relata diversos casos que reforçam os benefícios terapêuticos e clínicos da roda de tambores e batuque em patologias, síndromes e distúrbios, tais como: alzheimer, câncer, esclerose múltipla, mal de Parkinson, problemas da fala, AVC, reabilitação psiquiátrica, alívio do estresse, déficit de atenção, síndrome de Down, síndrome de Williams, dentre outros. Na área social, as RTs se fazem presentes em programas que atendem: adolescentes em situação de risco, prisioneiros e detentos, aposentados, veteranos de guerra e outros.
O neurologista Barry Bittman (e outros), em "Composite Effects of Group Drumming Music Therapy" (2001), verificou alterações em nível biológico proporcionadas pelo uso terapêutico de RT, em procotolo específico, resultando em melhoria de índices imunológicos, uma vez observados: aumento das taxas de "dehydroepiandrosterone-to-cortisol"; aumento da atividade das células NK e aumento de atividade das células exterminadoras linfócito-ativadas.
A RT é apoiada por um "facilitador de rodas de tambores" que conhece as técnicas de facilitação ("cues") e com isso, ajuda e incentiva os participantes. As técnicas e procedimentos de RT constituem um sistema bem definido, incluindo: protocolos, comunicação com ênfase em linguagem corporal, repertório padronizado de sinais, uso de instrumentos musicais de percussão diferenciado e lúdico, dentre outros.
A RT, como um sistema, por meio de suas técnicas e procedimentos, não deve ser confundida como sendo prática musicoterapêutica; contudo, quando apropriada adequadamente por um musicoterapeuta, pode se tornar uma ferramenta útil. Há muito que se discernir nesse sistema: a formação circular com os instrumentos musicais no centro nos remete ao "setting" fogueira de Benenzon; as diversas manobras de facilitação nos fazem parear com algumas das 64 técnicas de improvisação de Bruscia, dentre outros. Como não bastasse, o uso do tambor e formação circular no trabalho de grupo, nos remete a todo um "primitivo", ancestral e tribal - cenários de interesse da musicoterapia.
Palavras-chave: Roda de Tambores, Círculo de Tambores, Drum Circle, Ritmo, Musicoterapia.Arthur Hull em "Drum Circle Spirit - Facilitating Human Potential Through Rhythm" (1988), diz que "uma roda de tambores é um grupo integralmente participativo compartilhando experiências rítmicas e musicais; essas experiências resultam em harmonia, camaradagem e sentimentos de bem estar entre os participantes". RT não é prática de conjunto; não há ensaios; o objetivo não é a performance por isso, não existe platéia - todos participam. Christine Stevens, musicoterapeuta e facilitadora de RT, em "The Art and Heart of Drum Circles" (2003), classifica esta prática como sendo uma forma de RMM (Recreational Music Making) - podendo ser entendida como uma forma de aprendizagem musical não estruturada que ocorre em ambientes não-estressantes. Neste caso, o termo "recreação", provém do latim "recreatio", que por sua vez, deriva do vocábulo "recreare", cujo sentido é de: reproduzir, restabelecer ou recuperar; e no caso das RTs, está no contexto de: restabelecer as energias, a saúde, a motivação.
Friedman em "The Healing Power of the Drum" (2000) relata diversos casos que reforçam os benefícios terapêuticos e clínicos da roda de tambores e batuque em patologias, síndromes e distúrbios, tais como: alzheimer, câncer, esclerose múltipla, mal de Parkinson, problemas da fala, AVC, reabilitação psiquiátrica, alívio do estresse, déficit de atenção, síndrome de Down, síndrome de Williams, dentre outros. Na área social, as RTs se fazem presentes em programas que atendem: adolescentes em situação de risco, prisioneiros e detentos, aposentados, veteranos de guerra e outros.
O neurologista Barry Bittman (e outros), em "Composite Effects of Group Drumming Music Therapy" (2001), verificou alterações em nível biológico proporcionadas pelo uso terapêutico de RT, em procotolo específico, resultando em melhoria de índices imunológicos, uma vez observados: aumento das taxas de "dehydroepiandrosterone-to-cortisol"; aumento da atividade das células NK e aumento de atividade das células exterminadoras linfócito-ativadas.
A RT é apoiada por um "facilitador de rodas de tambores" que conhece as técnicas de facilitação ("cues") e com isso, ajuda e incentiva os participantes. As técnicas e procedimentos de RT constituem um sistema bem definido, incluindo: protocolos, comunicação com ênfase em linguagem corporal, repertório padronizado de sinais, uso de instrumentos musicais de percussão diferenciado e lúdico, dentre outros.
A RT, como um sistema, por meio de suas técnicas e procedimentos, não deve ser confundida como sendo prática musicoterapêutica; contudo, quando apropriada adequadamente por um musicoterapeuta, pode se tornar uma ferramenta útil. Há muito que se discernir nesse sistema: a formação circular com os instrumentos musicais no centro nos remete ao "setting" fogueira de Benenzon; as diversas manobras de facilitação nos fazem parear com algumas das 64 técnicas de improvisação de Bruscia, dentre outros. Como não bastasse, o uso do tambor e formação circular no trabalho de grupo, nos remete a todo um "primitivo", ancestral e tribal - cenários de interesse da musicoterapia.
Autor: Paulo Roberto Suzuki. Especialista em Musicoterapia pelo Centro Universitário FMU (2008), cursou Musicoterapia na Faculdade Paulista de Artes (2001-2006); graduado em Computação pela Universidade Mackenzie. Sócio-Diretor da EMIND Atividades Integrativas Ltda. Mais de 25 anos no ensino superior como professor, coordenador de cursos e departamentos; consultor em tecnologia da informação; músico multi-instrumentista; facilitador de rodas de tambores (HealthRhythms e Village Music Circles). APEMESP#296, voluntário da SWPS, Seattle World Percussion Society, criador do movimento "Roda de Tambores Brasil".
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