sexta-feira, 27 de maio de 2011

A musicoterapia como um espaço para elaboração de lutos e fortalecimento da resiliência.

A transitoriedade da vida é inevitável: nascemos e um dia morreremos. A cada dia de nossa existência nos aproximamos mais de nossa morte e aprimoramos nossa capacidade de lidar com as nossas perdas e as alheias. O luto consiste em uma reação, um processo decorrente de uma perda significativa, seja ela de um objeto, pessoa, relacionamento ou emprego. Há diversos tipos de perdas que podem ocasionar o processo de luto, não sendo este um processo exclusivo da perda relacionada com a morte. Entretanto, lidar com a perda, independentemente de qual tipo seja, é extremamente complicado, pois nos coloca a refletir sobre nossa vida, sobre nossa condição humana e nos convida a reagir e a criar estratégias para a superação e seguir com a vida. Áries (2003) aponta que, a partir da segunda metade do século XIX, a realidade da morte passa a ser velada, escondida por metáforas, modificando conseqüentemente os rituais de luto. O luto era antes visto como um processo natural, do qual participava toda a comunidade da qual o enlutado fazia parte. O processo de luto era compartilhado pela comunidade e o enlutado encontrava o apoio e o espaço para seu luto entre os seus. Atualmente, Worden (1998) coloca que é no profissional de saúde mental que o enlutado procura auxílio, considerando-se que não há mais espaços para o diálogo sobre a perda, o que é de extrema importância para haver a elaboração da mesma: não há mais tempo e nem disponibilidade para viver o luto. Muitas vezes, a urgência em retomar a vida faz com que o processo do luto seja deixado de lado, negado e até esquecido. As experiências negativas vivenciadas num processo inacabado influenciam de maneira negativa o desenvolvimento de um indivíduo, podendo gerar desde a dificuldade de estabelecer novos laços afetivos até depressões ou outros quadros patológicos mais graves. O presente trabalho constitui-se em uma pesquisa qualitativa, bibliográfica, cuja base utilizada foi a de trabalhos de conclusão de graduações em Musicoterapia em instituições brasileiras e trabalhos publicados em anais de eventos científicos da área. O luto é conceituado e caracterizado a partir de leituras de John Bowlby, Sigmund Freud, Colin Parkes, William Worden e Lily Pincus. Busca-se encontrar possíveis respostas para o seguinte questionamento: de que maneira a Musicoterapia pode auxiliar na elaboração de lutos de modo a contribuir para o fortalecimento da resiliência de um indivíduo? Foram então traçados os seguintes objetivos: a) refletir sobre a importância da elaboração dos lutos decorrentes das perdas que o indivíduo sofre ao longo de sua existência e b) apontar para as possíveis intervenções da Musicoterapia no processo de luto em direção ao fortalecimento da resiliência do indivíduo. Como conclusão, o presente trabalho aponta hipóteses para uma futura pesquisa, auxiliando na delimitação do campo de estudo do luto em Musicoterapia.

Palavras-chave: Luto, Resiliência, Musicoterapia.
Autora: Natália Elisa Magalhães. Bacharel em Musicoterapia- Faculdades EST -2008. Mestranda em Teologia na mesma instituição-Bolsista CAPES-PROEX. Musicoterapeuta Clínica no Centro Musical Musisinos e na Clínica de Musicoterapia da Faculdades EST. Experiência clínica com enlutados, gerenciamento do stress, distúrbios de aprendizagem e reabilitação física.

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