Investigação qualitativa sobre as contribuições musicoterápicas no acompanhamento pré-natal.
Pesquisa de natureza qualitativa, descritiva, realizada durante o ano de 2009. Dos objetivos traçados cita-se: compreender como a musicoterapia poderia contribuir na construção/fortalecimento do vínculo mãe-bebê, compreender a relevância dos atendimentos musicoterápicos como espaço de acolhimento e escuta diante das dificuldades advindas da gestação e as contribuições no campo da Musicoterapia com gestantes inseridas em Programas vinculados à Saúde Pública. A coleta de dados deu-se somente após os trâmites legais para pesquisas com envolvimento de seres humanos, com aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa. A coleta foi realizada em quatro intervenções musicoterápicas grupais e desenvolvida a partir das Experiências Musicais de Improvisação, Composição, Re-criação e Receptiva (BRUSCIA, 2000). A análise dos dados ocorreu a partir das informações obtidas nos diferentes instrumentos de coleta: questionário aplicado na primeira intervenção, sínteses escritas realizadas pelas gestantes ao final dos encontros e gravações em áudio das intervenções realizadas. A análise dos dados nos permitiu verificar que nas músicas emergidas havia a representação de cada fase vivida pela gestante, com comunicação de idéias e sentimentos trazidos à tona nos momentos que cantavam ou escutavam músicas. Neste sentido, conforme aponta Rosemyriam Cunha no artigo Escuta terapêutica: sons, silêncios e palavras (2001), quando esta representação se dá através do resgate sonoro-musical, entrando em contato com os sentimentos anteriormente vivenciados, o funcionamento cerebral estabelece uma interlocução com imagens, cenas e emoções, evocando novamente aquela fase, o que possibilita uma re-escrita ou re-significação da história. Foi possível observar também, que em atividades de representação, embora as histórias de vida fossem diferentes em suas particularidades, estas histórias se encontravam em pontos comuns e que o ato do compartilhar ou reconhecer algo semelhante na história do outro, permitiu as gestantes uma interação bastante significativa, conforme alguns depoimentos. Observou-se que ao mesmo tempo em que as participantes traziam o conteúdo da fase sonoro-musical representada, também o interligavam à situação atual, comparando os pontos positivos e negativos da sua fase. Acreditamos que a semelhança entre as histórias de vida, a interação e empatia grupal, tenham facilitado a escuta e acolhimento dos conteúdos emergidos, mostrando assim, a força do grupo. Buscou-se priorizar a utilização da voz como mecanismo de comunicação e estabelecimento do vínculo mãe-bebê. Embora durante a gestação o bebê esteja em contato com todos os estímulos internos da mãe, conforme já extensamente tratado na literatura musicoterápica, sabe-se que é a voz materna que, após o nascimento, possibilita que o bebê retome a uma experiência vivenciada anteriormente, transmitindo conforto e segurança. As intervenções musicoterápicas realizadas com o grupo de gestantes revelaram o quanto esta modalidade de intervenção neste momento da vida da mulher favorece o resgate e elaboração da história de vida, com conseqüente melhoria na experiência da gestação e maternagem. Os resultados da pesquisa apontaram ao fato de que a Musicoterapia favoreceu a redução da ansiedade materna e o fortalecimento do vínculo mãe-bebê além de proporcionar um espaço de acolhimento e escuta embalados pela música.
Palavras-chave: Musicoterapia, Gestação, Programa de Saúde da Família.
Autoras: Fabrícia Santos Santana. Graduada em Musicoterapia pela Universidade Federal de Goiás, 2009. Possui experiências musicoterápicas nas áreas de Educação Especial, Reabilitação Motora, Clínica e Hospitalar. Gestora de oficinas musicoterápicas na Jornada Pedagógica da Diretoria Regional de Educação 7- DIREC7, 2010, e no projeto de extensão do Núcleo de Estudo em Tecnologia para Socialização do conhecimento em Biologia - NESTESB, 2006-2009. Eliamar Aparecida de Barros Fleury e Ferreira. Mestre em Música, 2003. Especialista em Musicoterapia na Saúde Mental, 1997.Especialista em Musicoterapia na Educação Especial, 1995. Licenciada em Música, 1987. Bacharel em Instrumento Piano, 1985. Coordenadora e docente do Curso de Musicoterapia da Universidade Federal de Goiás. Professora orientadora de pesquisas/EMAC/UFG. Presidente da Comissão de Pesquisa/EMAC/UFG, 2004-2007. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa, 2006-2007. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa/ACCG, 2004-2006. Supervisora clínica de Estágios em Musicoterapia, desde 2004. Membro do NEPAM - Núcleo de Estudos, Pesquisas e Atendimentos em Musicoterapia, cadastrado no CNPq.Professora homenageada pela participação na construção do Laboratório de Musicoterapia/EMAC/UFG, 2006. Membro integrante da Comissão de Estudos para a formação do Curso de Musicoterapia na UFG, 1996.
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