A correspondência entre os sons e as cores, referindo-se aos timbres ou às notas musicais, é a mais antiga forma de relacionamento audiovisual (CAZNOK, 2008). Diversos estudos revelam a grande proximidade na relação entre as artes visuais e a música, ou seja, podemos sentir um imenso prazer ou certo desconforto ao ouvir uma determinada peça musical e o mesmo também acontece ao observarmos uma obra de arte. Isso ocorre justamente por ambas as categorias existirem por meio de freqüências e através dos sentidos chegarem até nós. Existem obras que exigem do espectador uma total percepção, e o debate da união entre a audição e a visão é um fato presente na produção artística de várias maneiras. Nessas produções, além da participação da audição e da visão, também há a participação do tato, do olfato e até do paladar (CAZNOK, 2008). Através de uma investigação histórico-bibliográfica e de análise de repertório, tem-se a idéia de que o sentido da audição sempre esteve ligado ao sentido da visão, ou seja, na tradição da música ocidental, o ouvir, há muito tempo, sempre esteve conectado ao ver. Se baseando nesses estudos, Caznok (2008), afirma que as divisões atribuídas ao sentido da audição e ao sentido da visão são pensamentos teóricos, técnicos e analíticos alheios à concepção e à experiência artísticas. A audição e a visão são os sentidos que permitem ao homem realizar e perceber as cinco grandes Belas Artes: música, poesia, pintura, escultura e arquitetura. A música - sensação do tempo (temporalidade) - e a pintura - sensação do espaço (espacialidade) - nos dão a essência do mundo (LEINIG, 2008). A exibição audível de imagens de cor pode levar a diferentes maneiras de um ouvinte perceber uma peça musical (MARGOUNAKIS e POLITIS, 2006). Toda a abordagem se baseia em estudiosos das áreas da música, ciência e artes visuais e busca explorar essa relação entre notas musicais e cores, mostrando também alguns estudos que estabelecem as relações entre as freqüências dos sons e as das cores, incluindo o fenômeno da sinestesia. Trata-se de um trabalho que vê a música fora do padrão auditivo, além do sentido da audição que é usado pelo ser humano para se relacionar com a música e até mesmo pelo tato (vibração), como alguns trabalhos já realizados na área da vibroacústica. Aqui a música é vista também como imagem, especificamente notas musicais em cores (aqui não se trata do método GIM - Guided Imagery and Music de Helen Bonny). Dentro de um processo de musicoterapia, a relação entre terapeuta e paciente tem como objeto intermediário o(s) instrumento(s) musical(is). Um paciente com deficiência auditiva se relaciona sensorialmente com os instrumentos dispostos na sessão musicoterapêutica, desenvolvendo assim, uma unidade acústica, visual e motora, a partir de um fazer lúdico, com a finalidade de compreender, detectar, identificar e discriminar o som destes instrumentos. Sendo assim, para essas pessoas, não é somente pelos aspectos sensório-táteis que se dá a intervenção de um determinado instrumento musical, mas também pelo visual e motor (BUGALHO FILHO, 2001).
Palavras-chave: Deficiência Auditiva, Audiovisual e Sinestesia.Autor: Igor Ortega Rodrigues. Graduado em Musicoterapia (Faculdade Paulista de Artes, 2009); músico e professor de musicalização infantil; Autor do artigo "A música e o cérebro humano", Revista Baixo Brasil e da monografia As Cores do Som; Atualmente desenvolve um software que relaciona notas musicais e cores.
Gostei muito do texto e gostaria de saber mais sobre isso. O autor teria mais trabalhos a indicar?
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